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Entrevistas de música brasileira

Hélio Ziskind

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Hélio Ziskind

parte 12/25

A música vive dos acertos dos relógios

Max Eluard – Hélio, sobre essa aceleração, você nota a diferença da época em que você começou a fazer música pra criança pra hoje?
Hélio – Nossa, cara, isso é muito interessante, porque, às vezes, você passa muito tempo sem ouvir de novo os discos, né? Nós aceleramos todas as músicas. E foi muito interessante porque há dois meses a gente estava no meio de uma gravação de um disco novo, né? Ele está interrompido pra fazermos esses shows agora, de outubro, mas estamos no meio de uma gravação. E a gravação começou com a gente fixando os metrônomos das músicas. Onze, 15 anos, clique no ouvido, fone, pra gente definir os andamentos das músicas. E as meninas tomaram muita consciência das diferenças de andamentos, mínimas assim. Foi uma coisa muito interessante, porque, às vezes, você vai cantando a música e chega num ponto em que a mudança de um número parece que aumentou demais. E depois que fizemos essa passada pelos metrônomos, cantamos as músicas num andamento muito sólido. E é uma tendência mesmo. E fizemos um disco de cantiga de roda. E voltamos a cantar agora algumas músicas de lá. E é interessante quando você canta as cantigas de roda no meio do show ver o que acontece com aquela desacelerada… Tudo vai mais calmo.
Tacioli – Assisti ao show na FNAC. Enquanto você cantava “O cravo e a rosa”, uma das crianças saiu chorando, e a mãe dizia, encabulada, “Ele é muito sensível!” [risos] Ele tinha uns 4 anos.
Hélio – Às vezes, tem tanto pai no shows que a gente perde a noção está fazendo ali. [risos]
Max Eluard – O que você acha que se deve essa aceleração?
Hélio – Ansiedade da época, né?
Tacioli – E trabalhar com as meninas – uma de 10 e outra de 15 anos –, até mesmo pelo crescimento delas, também não determina essa aceleração?
Hélio – Determina.
Tacioli – A velocidade de trabalho.
Hélio – É, acho que sim.
Tacioli – Porque cada vez mais elas também ouvem pop.
Diego – Televisão.
Hélio – É, mas o que eu estou achando interessante é que de fato formou um grupo. E além delas duas, tem um baterista e um tecladista. O tecladista, na maioria das vezes, está fazendo o baixo com a mão esquerda e acompanhamento com a direita. Então a gente tem um comportamento de trio, do ponto de vista instrumental. O tempo do grupo é mais importante do que todo o resto, basta se concentrar nisso que a banda fica em pé. E podemos ir em frente, não precisamos nos preocupar mais. Pra mim foi um alívio, porque fiquei muitos anos ao computador. Ele tem um lado meio assim, é um relógio controlando tudo. No grupo são cinco relógios. Temos que acertar os relógios antes de começar. E isso é tudo, é disso que a música vive, desses acertos, de entrar em fase. E isso está acontecendo agora dentro do próprio trabalho, está se encaminhando bem. Temos uma ferramenta sadia na mão pra continuar trabalhando, né? E começou dentro do próprio grupo, porque as meninas não tem tempo de estudar música, elas estudam inglês, não-sei-o-que-lá, cursinho, e acabam não estudando muito. Tudo que elas aprendem de música, elas aprendem aqui dentro e do que elas acabam fuçando por si lá fora. Então começou essa coisa dos tons, das escalas, das oitavas, por dentro do próprio trabalho mesmo. Está interessante. Estou animado com o próximo disco.
Tacioli – É esse do Cem dias?
Hélio – Não, no ano passado fiz umas 25 músicas novas pra TV Cultura, e agora estamos gravando essas músicas.
Tacioli – Algumas você apresentou na FNAC.
Hélio – É.

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