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Entrevistas de música brasileira

Hélio Ziskind

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Hélio Ziskind

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Reinações na casa da árvore

Ele é baixinho, nariz grande, cabelos grisalhos, leve topete e um sorriso que sai da boca e se espalha pelos olhos. Ele também é adulto, multi-instrumentista, paulistano do bairro de Pinheiros, compositor e ex-integrante do cultuado Grupo Rumo. O quê mais? Tem carro, casa e estúdio próprios, uma filha, mais conhecido por seus trabalhos para programas infantis da TV Cultura, um filho, origem judaica, um cachorro, um quintal. Ainda casado com a mãe de seus filhos? Puxa, não perguntamos. O nome dele? Hélio Ziskind. O primeiro convidado para a Matinê Gafieiras, especial virtual que colore o site para comemorar o Dia (e o mês) das Crianças.

Assim que chegamos em sua casa era noite e não deu para ver a jabuticabeira. Seria ótimo fazer a entrevista, pegar umas jabuticabas e se pendurar para falar. Mas era noite e o quintal estava tão escuro que no lugar podia ter uma mangueira enorme e o céu sem estrelas esconder uma casinha lá no alto com escada e tudo. Uma casinha que Ziskind vem construindo com paciência de um joão-de-barro, notas musicais, silêncios, palavras, e tábuas de madeira há trinta anos.

Quando ela estiver pronta, Ziskind vai desligar o computador e sua mesa de muitos canais, subir pelo degraus e ficar tranquilão fazendo e ouvindo sons para todas as idades, todo mundo. Quem sabe ele escreva algo na porta de entrada dessa casinha na árvore, algo como “Entre sem bater”. Ou talvez “Bem-vinda, música popular brasileira”.

Quase três horas depois, entre sutis ameaças de bocejo do pai de Carolina e Fernando (todos de maior), entre o nascimento na Rua Teodoro Sampaio e as aventuras do Rumo e do Gigante da Floresta, a entrevista chegou ao fim. Mas não teve um propriamente dito. Ficou como que suspenso assim feito um balão. Um balão no céu lá longe voando. E aí veio um pássaro bem grande todo colorido e começou a bicar o balão. Bicou tanto que furou. Mas o menino era muito valente e não queria que a menina se machucasse. Então ele… ele… tá bom, já sei. Já passou da hora de criança dormir.

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