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Entrevistas de música brasileira

Hamilton de Holanda

Hamilton de Holanda. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Hamilton de Holanda

parte 7/20

Quero fazer um DVD, bicho!

Seabra – Quando você grava seu primeiro videoclipe? Ou já gravou?
Hamilton – Cara, fiz um teste, mas ainda não foi, não. Devo fazer, agora, este ano, né, Adriana?
Adriana Balsanelli – Provavelmente.
Hamilton – Quero fazer um DVD, bicho. Logo. Tô querendo fazer, eu até falei com o Vitor [Martins] hoje.
Tacioli – A gente estava falando justamente da comunicação…
Seabra – Corporal…
Hamilton – Incorpora todas as linguagens. Boto fé! Boto fé! Só que tem uma coisa, a gente tem que sempre levar em consideração e saber que nunca a música instrumental vai tocar como música cantada. Para cada cinqüenta discos que um cantor vende, um instrumentista vende um. Isso é estatística universal que não muda. Tem uma coisa da fisiologia, sei lá que porra é, o canto – não adianta a gente comparar. Então, essa discussão, que vai estar na mídia, que não vai estar na mídia, que está no grande público, que não está no grande público, eu acho que a gente tem que sempre levar isso em consideração, que a música cantada tem um poder de comunicação cinqüenta vezes maior que a música instrumental. Agora, isso não quer dizer que a gente não vá ter o mesmo público. Aí, depende de cada artista. Procuro atingir o maior número de pessoas possível. E estou conseguindo.
Euclides – Sem querer te interromper, mas você sabe que ao longo dos anos já aconteceu da música instrumental bater recordes. Waldir de Azevedo quando lançou o “Delicado”…
Hamilton – Na mesma época, quantas cópias o Elvis Presley vendeu?
Euclides – Mas eu digo no Brasil…
Hamilton – Orlando Silva, por exemplo.
Euclides – Mas “Delicado” foi recorde. Nunca se vendeu tanto disco instrumental. Claro que é uma exceção, uma vez na história. Uma coisa que não é uma regra…
Hamilton – É uma música, mas tudo bem, então, já que aconteceu com uma música, pode acontecer com outras. Eu acredito.
Euclides – É disso que eu estou falando.
Hamilton – Só que isso é exceção. Estamos falando de exceção.
Euclides – Mas vem reforçar essa sua idéia de que o público pode aumentar pra caramba.
Hamilton – Lógico. Tenho certeza disso e vivo isso diariamente.
Tacioli – Waldir de Azevedo tem um caráter popular, acho que até pela bronca do Jacob, não sei se vem muito daí…
Hamilton – Vem, vem…
Tacioli – Mas o alcance popular do Waldir, com “Brasileirinho”, “Delicado”, “Pedacinhos do céu”, é muito maior do que as obras do Jacob. Talvez se possa questionar como as coisas tomaram esse caminho.
Hamilton – Um somatório de várias coisas explicam o sucesso do Waldir, mas acho que se deve a duas coisas, principalmente: a forma dele tocar, a postura dele, porque ele era sempre daquele jeitão, empunhando o cavaquinho e tirando aquele som fudido. Neguinho pode malhar o Waldir o que for, mas o som dele, de cavaquinho, nunca vi ninguém na minha vida tirar o que o Waldir Azevedo tirava. Não existe, nunca fizeram. E o Jacob já era mais preocupado com a música, de ser mais elaborada, tanto que os choros dele são considerados mais choros do que os do Waldir. Mas isso não tira mérito nenhum do Waldir. Acho que ele é um exemplo para os jovens, porque o cara atingir a popularidade com um cavaquinho, um instrumento de 4 cordas, que não afina direito – porque cavaquinho não afina direito. [risos]
Euclides – Até então não era solista.
Hamilton – Até então não era solista! E o cara fazer o sucesso que ele fez, não é brincadeira.

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