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Entrevistas de música brasileira

Hamilton de Holanda

Hamilton de Holanda. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Hamilton de Holanda

parte 20/20

O músico tem que se reconhecer no mercado de cantores

Tacioli – Hamilton, estamos encerrando. Gostaria de saber de que forma você vê a música instrumental brasileira. Quais são os pecados dela?
Hamilton – Os pecados?
Tacioli – Sim, de uma forma geral. Nem tanto musicalmente, mas de comportamento.
Hamilton – De comportamento, né?
Tacioli – Até porque acabamos tratando disso ao longo da entrevista.
Hamilton – Deixe eu pensar um pouco. Nunca pensei nos pecados. Acho que a pessoa otimista sempre pensa em um lado bom primeiro, depois em um lado ruim. Essa coisa da postura, mesmo, Ricardo, do músico dar o valor que ele tem como músico, como músico brasileiro, e a importância que eles têm no mercado de cantores, por exemplo. Às vezes, acho que aquela postura do Raphael é a melhor de todas. Tem que ser assim. Tem gente que não gosta de pensar dessa maneira porque não se preocupa muito com a vaidade, que é um assunto delicadíssimo, que dá uma entrevista de um mês. [risos] Mais de se dar valor do que pensar nesse negócio de vaidade. Pô, bicho, você passa dez, vinte, trinta, quarenta horas da semana se dedicando a uma coisa, fazendo o melhor, estudando, pesquisando, botando a sua música brasileira no nível, no top, e não ser reconhecido como tal. Então, essa é uma postura que todo músico brasileiro tem que ter. Mas existe também – e é compreensivo – o complexo do brasileiro, que acha que tudo o que vem de fora é melhor. Isso foi colocado em nossa cabeça quando D. João VI saiu de Portugal e veio para cá, fugido. É um assunto muito complexo, que está incrustado na personalidade do brasileiro. Mas as gerações estão vindo e as coisas estão mudando. E em todas as áreas, Ricardo. Como pessoa e músico, quero dar a minha contribuição para isso. Sinto que já está fazendo efeito. [ri]
Tacioli – Maravilha.
Seabra – Maravilha.
Almeida – Ótimo.
Hamilton – Beleza?
Tacioli – Hamilton, você trouxe o bandolim, né?
Hamilton – Trouxe.
Tacioli – Você pode dar uma palhinha?
Hamilton – Claro. Nossa, já vai dar meia-noite. [afina o bandolim e toca “Três apitos”, de Noel Rosa]
Sampaio – Hamilton, uma última sessão de fotos para finalizar. [encaminha o bandolinista para a ante-sala do banheiro do piano-bar]
Hamilton – Beleza!!
Tacioli – Precisa ter fôlego para dar entrevista pra gente, Hamilton! Essa é a sexta de hoje, não?
Hamilton – É. Mas foi um prazer. E gostei muito de ser entrevistado pelo clone. [risos] [n.e. Em referência à semelhança de Daniel Almeida com o ator Murilo Benício]

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