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Entrevistas de música brasileira

Hamilton de Holanda

Hamilton de Holanda. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Hamilton de Holanda

parte 18/20

Tenho vontade de gravar um disco pop

Cirino – Você falando de Brasília, formamos uma idéia sobre esse cenário cultural de lá. A que se deve essa projeção musical de Brasília? Aos centros de ensino e às escolas? Há uma característica especial?
Hamilton – Sabe o que eu acho sobre isso? É uma característica do Brasil em geral, sabia? E cada cidade com sua especificidade. Brasília tem essa coisa astral, do ócio. Já Rio e São Paulo têm a coisa de serem capitais culturais. Tanto que todo mundo, todo o Brasil vem pra cá. São características de cada cidade. Não é que lá tem mais ou menos qualidade. Tem o que a cidade precisa e o que a cidade consegue ter. Assim, fica essa fama, que músico de Brasília é bom e tal. Mas é bom como o músico de São Paulo, como o músico do Rio, só que com suas características. Neguinho parece que tem mais tempo e mais facilidade de estudar, de tocar, mesmo. “Aí, brother, estou a fim de fazer um som agora!” Em cinco minutos estou na casa do cara. É impossível de se imaginar isso em São Paulo e no Rio. São essas características…
Cirino – Isso é sobre as pessoas. E o lance da escola?
Hamilton – Da escola de choro?
Cirino – Não, mas das escolas…
Hamilton – Das escolas, Escola de Música, da Universidade? Não sei se isso influencia tanto. Aqui em São Paulo tem mil, duas mil, três mil, cinco mil escolas. Em Brasília tem trezentas.
Tacioli – Como as informações que você obteve na faculdade interferem em sua criação e em sua forma de executar? Não pode…
Hamilton – Amarrar?
Tacioli – É.
Hamilton – Eu não acho que me amarrou, não, sabia? Porque desde o começo me falavam e sempre me buzinavam. Fiquei alerta pra isso, para não deixar a formalidade tomar demais a minha música. Aí é da sensibilidade de cada um. Todo mundo daqui já passou por uma sala de aula e sabe como é que se aprende, e como é que não se aprende. Pode ser música, pode não ser. Entrei com esse intuito na faculdade de música, para aprender outros universos e para aplicar esse conhecimento de uma forma bonita. E até para não aplicar também.
Almeida – Você já compôs em outros gêneros populares sem ser o choro?
Hamilton – Já. Compus bastante dentro dos gêneros brasileiros. Baião, frevo, afoxé, samba, balada, marcha. Nasci no Rio, fui criado em Brasília e viajo desde menino. Os meus pais são de Pernambuco. Então, tenho essas gaminhas.
Seabra – Até rock?
Hamilton – Tenho, mas não gravado. Tenho vários projetos.
Almeida – Fale um!
Hamilton – Quero gravar um disco só com as minhas músicas instrumentais, partindo para esse chorinho universal de que estou falando, uma coisa mais aberta. Tenho vontade de gravar um disco pop, com músicas do Djavan, com músicas do… Coisa bem feita, bem bolada mesmo, para não ficar disco de elevador. Gravar o meu concerto. Tenho vontade de fazer um disco de canções, também. Não comigo cantando, claro, mas tenho vontade. Tenho vários projetos. Aí, conforme for pintando, vou fazendo.

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