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Entrevistas de música brasileira

Hamilton de Holanda

Hamilton de Holanda. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Hamilton de Holanda

parte 11/20

O Raphael era um cara com uma postura fudida

Tacioli – Ney Matogrosso com Raphael Rabello é um exemplo que coloca no mesmo plano o instrumento e a voz?
Hamilton – É, e volto a lhe falar que é isso por causa do artista. O Raphael era um cara com uma posição e com uma postura fudidas. Tem até um caso em que eles iam fazer um show no Imperator, não sei se vocês sabem desse caso. E, aí, um dia antes, quando eles foram passar o som, o Raphael viu o que estava escrito na fachada. “Ney Matogrosso”, imenso, e “Raphael Rabello”, pequenininho. Ele falou, “Amanhã, se os nomes não estiverem do mesmo tamanho, eu não toco!” E é isso mesmo. Que porra é essa?! Aí, virou o que virou, entendeu? São esses tipos de postura que acabam com esse negócio. A música cantada vai ser sempre mais vendida e mais executada, porque todo mundo vai saber cantar. Isso aí já faz parte. É igual querer comparar homem com mulher, pô. A mulher nunca vai ser igual ao homem, e o homem não vai ser igual à mulher. É a mesma coisa.
Tacioli – Então, você visualiza essa passividade na história da música instrumental brasileira.
Hamilton – Não sei se existiu essa passividade.
Tacioli – No sentido de não saber se impor. O Raphael soube.
Hamilton – Não posso te responder, Ricardo, porque historicamente não tenho idéia. Conheço, já li muito sobre música brasileira, mas nesse ponto exatamente, em vez de lhe dar uma resposta, prefiro não responder. Eu não sei. Não sei como era a postura do Waldir Azevedo, por exemplo. Mas, quando há essa postura (como a do Raphael), funciona.

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