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Entrevistas de música brasileira

Germano Mathias

Itens obrigatórios de Germano Mathias: chapéu de aba curta e sapatos brancos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Germano Mathias

parte 5/21

Quem faz essas coisas hoje? Só eu, que sou um irreverente

Tacioli – Olha o cartão do Gafieiras.
Germano – É um conjunto?
Tacioli – É o nosso site.
Germano – Ah, o site. Depois você me passa direitinho, porque a minha filha pega no computador. Tem também um amigo meu que é compositor, o Caio Silveira Ramos [n.e. Autor da biografia Samba explícito – As vidas desvairadas de Germano Mathias], que é chefe lá na Assembléia Legislativa. Grande amigo meu. Ele me adora. Toda hora me liga perguntando se estou bem de saúde. Bem de saúde, estou, mas continuo broxa do mesmo jeito! [risos] Fui ao médico e ele disse que talvez com meia hora de massagem ele funcione! [risos] Vocês tem que ver o que conto no show. Quando a barra é pesada eu mando… “Posso contar para vocês como foi minha última aventura sexual?” “Pode, pode!” “Olha, é pesada, hein!” Peço licença pro diretor do show e começo… “Estava passeando lacrimejantemente pelas alamedas públicas da capital bandeirante quando encontrei uma colegial… 15 aninhos e não era mais virgem! Então, a convidei para irmos ao lugar secreto. Chegamos lá e eu tirei toda a minha roupa. Fiquei peladão em cima da cama… Pedi pra ela também se desnudar, porque eu estava excitado. Mas quando ela tirou a roupa, o meu pipi estava deitado em cima da barriga. [risos] Ela veio, mas o meu pipi nem se mexeu. [risos] Ela viu que eu estava em uma situação constrangedora e disse, “Germano, posso dar um beijinho no seu pipi?” “Pode, ele está necessitando mesmo desse carinho.” Mas nada. Então, ela disse, “Posso fazer uma chupetinha no seu pipi?” “Pode, querida.” Perguntei se estava bom e ela disse, “Tá parecendo chocolate” “Mas está bom assim?” “É, que nem chocolate. Quanto mais chupa, mais mole fica” [risos] E o povo cai na risada. Aí, eu me invoco… “Minha filha, vou mostrar pra você que enquanto houver língua e dedo, mulher não me mete medo!” [ri] Então, eu enfiei a cara no mato, comecei a comer agrião na vala! [risos] Aí, ela me pediu pra colocar os óculos. Pensei, “Meu Deus! Ela é tarada! Ela gosta que eu faça essas coisas de óculos”… Aí coloquei os óculos… Logo depois ela pediu pra eu tirar os óculos. Por quê? “É que de óculos você me machuca e sem óculos você fica lambendo o colchão” [risos] O povo dá risada. Tenho quatro sambas de sacanagem.
Almeida – Cante um trechinho.
Germano – Tem um que se chama “Terreiro de Itacuruçá”. Digo pro povo… “Olha, vou receber uns espíritos aqui, mas não me responsabilizo pelos espíritos que baixarem aqui. Posso cantar? É barra-pesada e sou apenas o intermediário, o cavalo”. Então, começo. [Cantarola e batuca] “Fui convidado / Pra ir em um terreiro em Itacuruçá / Vejam vocês o que fui arrumar / Mas tem uma coisa / Nunca mais vou lá / Em Itacuruçá / Andei a noite inteira levando poeira / Foi de amargar / Só de madrugada foi que cheguei lá / No tal terreiro de Itacuruçá / Ao chegar no terreiro / Um tal canguru veio me falar / Primeiro o senhor tem que ir no gongá / Pedir ao preto velho pra lhe consultar”… [interrompe para explicar] Aí, faço um monte de barulhos, tremo todo, e o preto velho baixa em mim… [Germano arregala os olhos e põe a língua de fora, “está possuído”] “Caboclo mamadô / Língua de ouro de 2002” [risos] E o povo, quaquaquá. Quem faz essas coisas hoje? Só eu mesmo que sou um irreverente… Aí, tem outros personagens que eu brinco… “E dizer saravá / Justamente na hora que eu estava salvando a polícia chegou / Levou todo mundo / Eu fui o primeiro / Só o macumbeiro é que não entrou / Porque se mandou”. Tem outras três músicas assim. Ah, vou ali pegar a latinha e o repertório.

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Samba de breque
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