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Entrevistas de música brasileira

Germano Mathias

Itens obrigatórios de Germano Mathias: chapéu de aba curta e sapatos brancos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Germano Mathias

parte 21/21

Orra, mas veio uma gangue grande, hein?

Tacioli – A gente está encerrando. Se eu precisar de alguma coisa… Falamos de muita coisa aqui…
Germano – Pode ligar. Estou sempre à disposição. Aproveita e coloca meu celular na reportagem… Tô vendendo show à baciada. [risos] 3 pau na mão, eu sento até no colo do diretor. [risos]
Max Eluard – Põe até brinquinho. [risos]
Tacioli – É isso então.
Germano – Quer dizer que encerramos com chave de fenda. [risos]
Max Eluard – Tem alguma coisa que a gente não falou que você gostaria de falar?
Germano – Deixa eu ver…. acho que não. Falei sobre o documentário, falei sobre… o que a Ivone queria que eu falasse? Ah, eu tomei parte de dois filmes brasileiros!
Tacioli – É, eu ia perguntar. Tinha a novela…
Germano – Tem a novela também. Era a novela que a Ivone queria que eu falasse. Sempre esqueço… Era uma novela tão ruim que saiu logo do ar. [ri]
Dafne – E os filmes?
Germano – Os filmes foram bem, eram chanchadas… Um do Oswaldo Sampaio, chamava-se O Preço da vitória [1959]. Era sobre a primeira Copa do Mundo que se ganhou.
Tacioli – De 1958.
Almeida – Você aparecia cantando, atuando, ou os dois?
Germano – Cantando… batucando numa latinha de engraxate. Aí eu tinha que dar uma pernada no sujeito pra ele cair, mas ele não queria cair! “Mas eu sou o mocinho!”… “Você tem que cair, caramba!” [ri]… E ele, “Eu não. Vou dar cartaz pra você? Nenhum branco me derrubou até hoje, você não vai me derrubar!” [risos]
Tacioli – Era o Nerei Silva?
Germano – Lembra do Nerei Silva? Não queria cair até que o diretor disse que ele tinha que cair de qualquer jeito. Aí ele caiu… Caiu de má vontade, de bunda no chão. [ri]
Tacioli – E qual foi o outro?
Germano – O outro foi Quem roubou meu samba? [n.e.1959, de Hélio Barroso e José Carlos Burle] Com o Ankito… da Cinedistri… nem me lembro mais o ano… tinha uma cena de morro muito boa.
Tacioli – E pintaram mais convites?
Germano – Para cinema não… Logo depois acabaram as chanchadas. Tinha muito filme com artistas cantando, era o que mais chamava as pessoas, dava bilheteria. Hoje ninguém coloca mais os artistas cantando.
Tacioli – E se hoje lhe convidassem para um personagem que não fosse ligado à música?
Germano – Não, personagem não. Sou muito ruim de decorar. Demoro muito, mas depois que decoro… esqueço logo. [risos]
Seabra – Germano, com esse seu poder de palco, você já pensou em ser pastor?
Germano – Se desse dinheiro eu seria. [risos] Se der dinheiro, eu tô lá!
Seabra – Costuma dar. [risos]
Germano – Orra, mas veio uma gangue grande, hein?
Almeida – É sempre assim. De cinco pra cima!
Max Eluard – Germano, prazer enorme!
Germano – Desculpem qualquer coisa… Vocês sabem que velho só dá mancada, né? [risos]
Seabra – Muito prazer.
Tacioli – Obrigado pela atenção.
Germano – A casa aqui está à disposição de vocês, viu? Não se avexem, se estiverem passando por aqui, podem subir para tomar um café… Porra, quase peguei a carteira dele! [risos] A mão já entrou direto… É o costume! [risos] Vão com Deus! Boa sorte e muito obrigado. Fico aguardando.
Tacioli – Te aviso quando tiver pronto.
Germano – Mas você tem que arrumar uma peruca dessa pra mim! [referindo-se ao cabelo de Ricardo Tacioli] [risos] Que peruca bacana! Que cabeleira, que cabeleira! [risos] Liga não, gosto de brincar.

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Samba de breque
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