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Entrevistas de música brasileira

Germano Mathias

Itens obrigatórios de Germano Mathias: chapéu de aba curta e sapatos brancos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Germano Mathias

parte 18/21

O Geraldo Filme era bom. Cheguei a gravar um samba dele

Tacioli – Como era o seu relacionamento com o Adoniran Barbosa?
Germano – Eu não cantava o tipo de samba dele.
Tacioli – Mas você conversava com ele? Eram amigos?
Germano – Conversava. Dávamo-nos bem. Nunca houve nada entre nós. Mas os sambas dele não eram do meu gênero, eram mais Demônios da Garoa.
Max Eluard – Você não gosta do estilo?
Germano – É o estilo de um crioulo apedeuta, quer dizer, um crioulo ignorante que não sabe nem ler nem escrever, e o cotidiano dele. Você vê que ele fala tudo errado. “Nóis fumo”, “nóis vai”… [imita Adoniran Barbosa] “Nóis vai, porque nóis vai, porque nóis vorta!”… E eu não, eu cantava as letras sem serem erradas, né?
Max Eluard – E o Geraldo Filme?
Germano – O Geraldo Filme era bom. Cheguei a gravar um samba dele.
Max Eluard – Aliás, foi o primeiro samba dele gravado.
Germano – É, “Baiano capoeira” [n.e. Ginga no asfalto, 1962, Odeon]. Fui eu que gravei… “Tem que ser agora / Vamos resolver aquele velho assunto / Não sou tatu para morrer cavando / Nem perna de porco pra virar presunto / Vou te fazer defunto”. Faz tempo, umas coisa a gente esquece… “Vamos procurar um território diferente / Pra resolver essa situação / Não ponha as banca aqui no meu distrito / Pra mim não invadir tua jurisdição / Não acredito em homem valente / Pois o meu nome ainda não morreu / Cante de galo lá no teu terreiro / Porque aqui no muro quem canta sou eu / Vacilou morreu”. [risos]
Max Eluard – Essa é do Geraldo Filme?
Germano – Em parceria com o Jorge Costa.

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Samba de breque
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