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Entrevistas de música brasileira

Germano Mathias

Itens obrigatórios de Germano Mathias: chapéu de aba curta e sapatos brancos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Germano Mathias

parte 16/21

A Atração foi a única que me abriu o caminho

Seabra – Vamos imaginar que você faça mais um CD na Atração e uma outra gravadora lhe convida para fazer um desses três.
Germano – Não, eu não quero sair da Atração, porque a gravadora foi que… Não costumo defecar no prato que como. [risos] Orra, puta que o pariu! Defecar…
Max Eluard – É uma cagada chique.
Germano – Não costumo defecar no prato que como. Só se a gravadora Atração não me quiser mais, mas enquanto ela me quiser, eu não vou para outro lugar.
Seabra – Mas se uma gravadora lhe oferecer…
Germano – A Atração foi a única que me abriu o caminho. Esse CD foi mandado pra tudo que é gravadora porque estava naquele impasse… A Warner não resolvia, então, o compositor, o Elzo [Augusto], mandou para as outras. Ninguém quis. Só a Atração quis. Então, se faço sucesso na Atração, não posso chutá-la. Tenho que dar lucro pra eles, porque eles deram lucro pra mim. Se não fizer isso, não vivo dentro da lei do carma. Não façais aos outros o que não queres que façam a ti mesmo.
Almeida – E você é grato a mais alguém?
Germano – Sim. Ao Elzo Augusto, o compositor. O Oswaldinho da Cuíca, que sempre me apoiou muito… Você diz do meio artístico, né?
Almeida – É.
Germano – O Jô Soares… Já fui duas vezes ao programa dele. Foi o único programa que se lembrou de mim. Mas antes eu estava sem disco. Agora tenho disco pra trabalhar. Você sabe que o cartão de visita do cantor é o disco.
Max Eluard – E composições suas?
Germano – Eu tenho… Mas eu acho que meus sambas não estão muito bons. Acho que existem coisas melhores do que as minhas.
Max Eluard – Você não é muito exigente com você mesmo?
Germano – Sou. O último samba que fiz foi… “Todo mundo morre / Só eu não vou morrer / Vou ficar para semente / Cá no meu modo de ver / Todo mundo morre / Só eu não vou morrer / Vou ficar para semente / Plantada no seu jardim / Só pra ver você meu bem / Jogar água em cima de mim / Se você não me regar / A chuva irá me regando / Se você não me regar / A chuva irá me regando / E florescendo numa linda planta eu irei me tornando”… Foi uma história… fui em um velório de uns caras aí, uns vagabundos, lá no Rio… Ah, não, foi em São Paulo. Cheguei e já estava todo mundo chapado de maconha, cheio de cachaça… velório de vagabundo é assim [risos], todo mundo aproveita pra queimar bastante fumo e tomar cachaça. Aí, apareceu um cara e disse uma coisa que nunca ninguém tinha pensado antes… “Nascemos, temos que morrer!” [risos]
Max Eluard – Um filósofo.
Germano – Filosofia de malandro. “Nascemos, temos que morrer!”… E um outro falou assim… pensei que ele fosse mandar, “Falou a voz da ignorância”, mas não… [dirige-se ao cachorro] Dá um beijinho no vovô, dá… Isso, que bonitinho, meu negrinho, pretolinha…
Max Eluard – Ele é corintiano também?
Germano – Corintiano da gema. Outro dia, o Palmeiras marcou um gol e ele balançou o rabinho, mas não com muita intensidade… pensei, “Pô, não é que meu cachorro tá virando casaca!”… Mas não era, estava dizendo, “Foi impedido, não valeu!” [risos]
Tacioli – Dizia, “A regra é clara”.
Max Eluard – E você jogava bola?
Germano – Não, nunca fui bom de bola, não.

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Samba de breque
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