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Entrevistas de música brasileira

Germano Mathias

Itens obrigatórios de Germano Mathias: chapéu de aba curta e sapatos brancos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Germano Mathias

parte 15/21

A divisão é o ponto comum entre o forró e o samba

Tacioli – Os projetos de discos são ótimos.
Germano – É, são três. Por exemplo, esse do forró tem três forrós, cada um com uma letra só.

[silêncio]

Germano – Tem o “Coco com C”, “O Forró do F” e “Coco do M”… tudo com a letra C, tudo com a letra F, tudo com a letra M.
Tacioli – Ah, entendi.
Germano – [cantarola e batuca] “O Coco com C é competente / Cachimbo, café, cachaça, cadarço, cordão, corrente / O Coco com C é competente / Cachimbo, café, cachaça, cadarço, cordão, corrente / Cantando Coco com C consegui confirmação / Carro, carroça, caminhão / Coelho cantou / Coração comovente / Cachimbo, café, cachaça, cadarço, cordão, corrente / Com C começo cantando / Consagração, companhia, carreiro, cavalaria, colega, camarada / Campo, corte, cruado, confirmado, conferente / Cachimbo, café, cachaça, cadarço, cordão, corrente” … “Este que é o Forró do F / Cantador que não é bom / Quando vai cantar esquece / Este que é o Forró do F / Cantador que não é bom / Quando vai cantar esquece / F, ferreiro, ferro, fogo, farinhada / Furada, faca, facada, facão / Felicidade, fé, fogueira, fechadura / Flores, favela, fartura, Frederico, furacão / Folia, fumo, fubá, filho de forró, feijão, farinha, farofa, frio, fiandeira, Filosofia / Foto, furado, formoso, fuxiqueiro, fervoroso, Fernando, fragoso e feira”… [risos]
Tacioli – Muito bom.
Almeida – E o M?
Germano – O M é… [cantarola e batuca] “Mané mandou / Maria, Mateus / Murilo mandou o meu / Martelo no meia ma / Quando eu canto esse coco / A minha língua treme / Quem fizer outro coco em M eu amarro e mando matar / Eu sou um matuto moço / Morou no mato é madeira / Mandioca, manipuêra, marco o modo de mudar / Mandei Matias amarrar moi de marmeleiro / Malaquia, marinheiro, mangueiro, maracujá / Esse meu coco é maneiro, mas é ruim de se cantar”… Com bom acompanhamento, ninguém mais faz, ninguém sabe… é tudo liso! É um forró liso! Não tem aquela divisão de forró.
Tacioli – O Jackson do Pandeiro era um ótimo divisor…
Germano – O Jackson era grande. Mesmo o menino… o Jacinto Silva… Jacinto Silva, não, ele morreu… O Genival Lacerda. Quando ele começou foi assim. Ele fazia… [cantarola e batuca] “Constança / Não se meta com Anita / Essa nega é esquisita / Que vieram me falar / Porque o ambiente ali não presta / O chamego da mulesta só é bom pra quem é de lá / Desculpe eu me meter no seu assunto / Mas ali cheira a defunto / Que vieram me falar” [risos]… “Malandro pra ficar ali por perto / Tem que estar de olho aberto / Pisar no chão devagar” [ri]… Tudo nessa base, né?
Tacioli – Mas qual ponto em comum há entre o forró e o samba?
Germano – Tem, tem. É o irmão do samba. O forró antigo… O moderno, não.
Tacioli – Mas quais são os elementos que se comungam?
Germano – A divisão. [batuca para mostrar a semelhança] Mas, às vezes, o forró pode ser mais lento, mas é na divisão, chama-se divisão marcante. Não pode atrasar! Se você ouve os pagodes de hoje em dia, parece que é tudo meio atrasado, não está junto com o cantor. Já reparou? Não é entrosado! O cantor canta de um jeito e o acompanhante faz de outro. É por isso que gosto desses sambas que canto, porque é tudo casadinho, não atrasa. Eu sou o único que canta nesse estilo e desse jeito vou acabar morrendo de fome! [risos] Se não tiver quem goste [ri]… ô velho filho-da-puta! Vai cantar assim na puta que o pariu. [ri]

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Samba de breque
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