gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Germano Mathias

Itens obrigatórios de Germano Mathias: chapéu de aba curta e sapatos brancos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Germano Mathias

parte 13/21

Tudo vai depender da aceitação que eu tiver nas rádios

[Almeida vai ao banheiro]

Germano – Faça o favor, pode entrar. Vocês querem ir lá? Querem tirar a água do joelho?
Tacioli – Daqui a pouquinho eu vou.
Germano – Quer afinar o contrabaixo? [risos] Quando alguém se levanta no show, eu mando, “Já vai lá, meu filho?! Mais de três chacoalhadas é considerado masturbação! [risos] Ô, a última gota é sempre da cueca, viu?”… O cara fica sem graça. [ri]
Tacioli – O que você acha da bossa nova?
Germano – A bossa nova é bom pra quem sabe tocá-la. O João Gilberto… Eu nunca me adaptaria à bossa nova. Meu negócio mesmo é o samba, samba ritmado. A diferença do samba carioca para o paulistano é isso, o samba paulistano é ritmado. Ele não é lento. O samba carioca é mais cadenciado. [imita uma batida de surdo batendo na mesa] E eu tenho a felicidade de estar sozinho nessa área.
Tacioli – Você acha isso legal?
Germano – Eu só preciso da divulgação. Porque ninguém pode dizer que esse CD não está bom. Pode? Em sã consciência? Tô cantando sem desafinar, tô fazendo bossa, tô cantando em divisão marcante. Tô fazendo o samba como ele é. Sou sambista tradicional.
Almeida – Você falou que tenta ficar no padrão, mas sempre colocando sua personalidade. Você nunca incluiu num CD esse seu lado que é mostrado em shows? Contar piada…
Germano – Não, porque pode não passar pela censura. Ficaria um disco muito pornográfico. Não se pode fazer isso em disco, somente em show.
Max Eluard – E é bacana quando você faz no show coisas que não tem no disco. O show passa a ter outro valor.
Germano – Claro. Qual é a sua graça?
Max Eluard – Max Eluard.
Germano – Sábias palavras proferidas pelo Max Eluard. [risos] Sábias palavras. [ri]
Max Eluard – Obrigado, obrigado. [risos]
Germano – Então… Agora ou vai ou racha. Tenho a impressão de que se eu for para televisão cantar o primeiro samba da periferia, o povo vai saber como está o disco. Então, vê que está realmente dançante, é samba de gafieiras, sincopado.
Seabra – E há espaço, casas noturnas, para tocar o CD e dançar?
Germano – Depende deles tocarem. Tudo vai depender da aceitação que eu tiver nas rádios. Principalmente nas emissoras que tocam samba, MPB.
Max Eluard – Você acha que aparecendo na TV as rádios vão tocar ou tocando nas rádios você aparece na TV?
Germano – Ambas as coisas, mas o rádio ajuda muito.
Max Eluard – O rádio é o que chama para a televisão.
Germano – Ajuda muito. Mas, às vezes, não. Depende… Mas fazendo uns programas de televisão, mostro a qualidade do que está gravado.

Tags
Germano Mathias
Samba de breque
de 21