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Entrevistas de música brasileira

Gaby Amarantos

A cantora e compositora Gaby Amarantos. Foto: Renato Nascimento/Gafieiras

Gaby Amarantos

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Pará bem de perto

Depois de quase uma hora de táxi, da Rua Avanhandava até um cruzamento da Av. Paulista, Gaby Amarantos não se importou em fugir do congestionamento por meio da Linha Verde do metrô. Anônima e tímida, ouvia atentamente a história do site que logo mais a entrevistaria.

Realizada em abril de 2011, a conversa de quase três horas de duração lançou uma diagonal sobre o universo tecno-brega-tropicalista da cantora e compositora paraense. O hiato entre sua realização e sua publicação testemunhou a Copa do Mundo no Brasil, as eleições presidenciais, a vitória da gurmetização e a popularização de Gaby Amarantos. Hoje seria impossível andar pelas ruas de São Paulo sem ser interpelada por pedidos de fotos e autógrafos.

A menina criada no Jurunas, bairro periférico de Belém do Pará, espelha a trajetória de suor de boa parte da população brasileira. Alimentada pelas rodas de samba da família e discos de Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Marisa Monte, a moça cantou em igreja católica, em bares de mpb e soube condensar na música de seu estado, já tão marcada pelas misturas indígenas e latinas, os sons de outros Brasis e do exterior.

Do carimbó, calipso, guitarrada e lambada para o brega tradicional e sua versão eletrônica – o tecnobrega –, a música paraense nos últimos 15 anos protagonizou ainda um modelo de produção e de negócio diferentes daqueles da indústria cultural. A fabricação caseira de discos, a distribuição por meio dos camelôs e as festas de aparelhagens garantiram para os novos artistas e grupos vida adulta e independente do eixo Rio-São Paulo. A banda Calypso, Gaby Amarantos e Gang do Eletro são nomes que se projetaram deste cenário.

Reduzida pelos veículos de comunicação à “Beyoncé do Pará”, a intérprete de “Xirley” (aquela do “café coado na calcinha / só pra te enfeitiçar”) soube superar o epíteto e representar a cultura mestiça e fervilhante de seu estado. Conquistou o espaço de difícil manutenção, a sonhada e traiçoeira exposição nacional. No mesmo 2012 em que lançou seu “primeiro disco oficial” (Treme, Som Livre), com produção de Carlos Eduardo Miranda e participação da Pato Fu Fernanda Takai e da conterrânea Dona Onete, viu o sucesso “Ex mai love” tornar-se tema de abertura da novela global “Cheias de charme”.

Como não podia ser diferente, o papo com Gaby Amarantos foi marcado pela curiosidade, surpresa e bom humor. A moça do Jurunas falou de tudo para os seis marmanjos que a rodeavam: o músico e gestor cultural Edson Natale, o músico e um d’Os Mulheres Negras Mauricio Pereira, o radialista e pesquisador Julio de Paula e os gafieiras Dafne Sampaio, Max Eluard e Ricardo Tacioli, além do fotógrafo Renato Nascimento. Uma oportunidade para se conhecer uma das protagonistas da nova música do Pará, terra de Sebastião Tapajós, Fafá de Belém, Jane Duboc e Pinduca.

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