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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 6/25

Eu era um estudante revolucionário

Dafne – Você falou que é um antigo projeto seu, desde quando você fundou o diretório. O diretório era do PSDB, né?
Frank – Era. É porque em cada local nesse país a regional é diferente.
Dafne – O que estava na sua cabeça quando você fundou o diretório e quando começou a ter esse interesse?
Frank – Naquela época eu queria ser prefeito da cidade onde nasci. Eu estava indignado porque o prefeito não estava correspondendo. As pessoas estavam sofrendo e eu era um estudante revolucionário, com 19 anos, mas precisaria ter 21 anos para ser candidato a prefeito. E eu fiquei frustrado, porque logo disseram que eu não podia, que tinha que cair fora, e eu vim pra São Paulo. Então vou cantar e um dia quero fazer política. Quero servir por meio da política. E aí, de lá pra cá, fui me aperfeiçoando…
Dafne – Você poderia não ser músico se já tivesse entrado na carreira política.
Frank – Eu já era músico. Sempre achei que a música era uma coisa que me ajudava fazer política.
Dafne – A comunicação?
Frank – A comunicação, a arte, a arte de cantar, como ela consegue chegar às pessoas, como eu poderia ter uma opinião mais fortalecida com essa arte. E depois estava no sangue também. Dessa arte dependo até pra consumação da minha alma, do meu espírito todo. A música é maravilhosa, jamais vou parar de fazer isso. E não vou deixar uma coisa atrapalhar a outra, muito pelo contrário, acho que a música ajuda o político, e o político ajuda a música. Se não entenderam, eu explico.

Que contribuição vou estar dando pro meu país?

Tacioli – Então explica. [risos]
Frank – Noventa porcento dos meus contratos hoje são políticos, para festas de cidade em que os prefeitos me contratam. Qual o prefeito que vai deixar de me contratar porque virei deputado? Muito pelo contrário. Ele vai ter mais prazer em me levar. “Poxa, vamos chamar o Frank, porque além de ser cantor que as pessoas gostam, ainda é um deputado, um político, que vai fiscalizar, olhando o que estamos fazendo aqui. De repente pode olhar para o nosso município.” Jamais vou pensar em fazer “troca de apoio”, nem de brincadeira, eu não permito, porém não vou abrir mão de cantar. É minha vida, é minha sobrevivência. Política por idealismo, mas se fosse depender de salário de deputado pra sobreviver com tamanha despesa que tenho, eu voltava pra roça. E por que o cantor ajuda o político? Imagina se um apresentador vai perder a oportunidade, quando eu estiver em gestão como parlamentar, de me perguntar: “Deputado, como está em Brasília, conte pra nós?”. Essa é uma curiosidade de toda a sociedade. Você como apresentador teria essa curiosidade. Eu cantei e “agora conte pra nós, como é aquele mundo?” E eu, de forma bem sensata, tranqüila, ética, sem precisar estar batendo em ninguém, “Olha, estou conseguindo desenvolver isso e aquilo. Agora tem algumas coisas que eu não estou conseguindo. Sabe por quê? Por isso, por isso e por isso.” Que contribuição vou estar dando pro meu país? Estarei denunciando de uma forma tão tranqüila, não é, sem ser antiquado. E, ao mesmo tempo, a arte está ajudando o deputado a propagar, porque vou ter a cada semana cinco minutos à beira do plenário para fazer um pronunciamento. É muito pouco! Então, do outro lado, a arte vai me ajudar a comentar. Claro que não vou abusar disso, mas quando tiver oportunidade, devo dar uma satisfação à sociedade porque ela vai me cobrar muito.

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