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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 5/25

Quero ser político pra servir

Tacioli – Não somente em relação à carreira política, mas à música, você sente falta de interesse dos jornalistas, pelo menos daqueles dos grandes veículos? Existe essa falta de reconhecimento?
Frank – Eu sinto falta. Tenho feito muitas entrevistas, porém elas não repercutem muito. Parece que eles não querem escutar coisas boas, idéias corretas, sabe? Não quero generalizar, mas o que mais eles gostam são das gafes cometidas. Teve um que insistiu para que eu cometesse uma gafe. Depois de uma coletiva com 50 jornalistas, “Deputado, me dê uma exclusiva, por favor”. E ele queria porque queria. “Vamos falar de outra coisa. Como você vê o perfil do deputado? Tem que ser músico, tem que ser empresário, tem que ser advogado? Mulher, deputado, vamos falar de mulher.” “Como assim?” “Sim, como você vê a mulher na política?” “Olha, é muito bem-vinda, as mulheres têm de participarem mais. A mulher tem tanto poder de gestão, a capacidade de administrar, quanto o homem. A mulher tem mais sensibilidade, isso e aquilo.” Mas eu elogiei tanto. E aí ele disse: “E também pela beleza, a paisagem da mulher, não é, deputado?” Eu disse: “Não, isso é por sua conta, você é quem está falando isso. Estou falando da capacidade da mulher em trabalhar, não estou falando de paisagem de mulher.” Ou seja, se eu tivesse concordado com ele…
Almeida – Ia virar manchete.
Frank – Aí eu estava nas primeiras páginas. Mas ninguém comentou a minha tarde com 50 jornalistas lá. E eu fiquei frustrado.
Dafne – Como você está se preparando para enfrentar a cobrança da grande imprensa?
Frank – Eles não falam somente de mim, mas infelizmente taxam os novatos e as celebridades como exóticos, como vi apresentadores me taxando. “Meu Deus, ele nunca teve a oportunidade de conversar comigo, não sabe da minha capacidade…”
Dafne – Mas você sabe que já tem uma cobrança e que terá uma cobrança durante o mandato.
Frank – Eu estou preparado pra isso. Eu já estou sendo cobrado, eles já querem que eu esteja trabalhando mesmo sem tomar posse. E eu tenho de ser bem sensato, flexível e saber como responder e lidar com essa cobrança. O que eles esperam, o que eu mais eu escuto, o que mais me cobram: “Não se corrompa, não vá roubar!” O que escutei nessa campanha não desejo pra ninguém. Nunca fui político e escutar tudo isso sem merecer, porque generalizou muito a história da corrupção e qualquer candidato na cabeça do eleitor é corrupto, mesmo sem nunca ter tido um cargo. Mas procurei entender. Eu não respondia, respeitava aquele sentimento, porque é de indignação, assim como o meu também, e por isso fui um candidato e estou aqui pra trabalhar. Assim como eles, eu também estava indignado com aquela cena toda. E o que eu tenho de fazer agora? Ser ético, corresponder com a expectativa deles. Sei que vou me frustrar pra caramba, porque no Legislativo não é como no Executivo, você não tem o poder das MPs (Medidas Provisórias) da vida. Dependo de muitos. Mas acredito que vou também ser recompensado, não pelos salários, que nem sei o quanto é, mas pelas coisas. Quero ser político pra servir. Eu já tenho uma vida estabilizada e tranqüila, não preciso…

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