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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 2/25

Quando meu olho direito treme...

Almeida – Ô, Frank, e não há pressentimento de coisas boas?
Frank – Tem, e de muitas coisas boas. Eu sinto todos os dias, todos os assessores já sabem. Quando eu falo, eles ficam com medo… Anteontem eu ia fazer uma viagem para o Xingu com o comandante da Aeronáutica, onde caiu o avião da Gol. Fui pra Brasília na quarta, para viajar na quinta pra Manaus, quando faria um sobrevôo com o comandante, conheceria o sistema da Aeronáutica e essa polêmica toda que está rolando. Ele me convidou, como parlamentar, pra passar dois dias com ele. E eu fui. Quando estava para dormir chamei os assessores que vão trabalhar comigo. “Não estou com vontade de fazer essa viagem amanhã.” “Mas por que, Frank?!” “Um dia vocês vão entender minhas intuições. Vocês estão começando agora a trabalhar comigo. Às seis horas ligo pra falar se eu vou ou não.” Sairíamos às sete horas. Dormi, tentei receber a mensagem… Não estava prevendo nada negativo, nada errado, somente achava que não ia valer a pena. Às seis horas, liguei. “Viviane, ligue para o Coronel e diga que não vou nessa viagem. Desculpe-se, fale que vou fazer um show à noite, que estou com medo dos aeroportos estarem tumultuados, de não conseguir chegar à cidade.” E ela tentou ligar, mas o celular do comandante estava dando caixa. Lá pelas onze horas, o comandante ligou. “Frank, a viagem está dando errada. Houve não-sei-o-quê, não vai dar certo!” Ou seja, eu já estava prevendo que não ia ter essa viagem. Não estava prevendo negatividade, entendeu?

Nas capas de alguns discos de Frank Aguiar, a preferência pelo branco e azul. Fotos: reprodução

Tacioli – E há esse sentimento com show?
Frank – Eu não deixo de fazer o show, mas aí vou ao quarto, oro e tento descobrir o que está acontecendo. O branco está sempre presente. Se eu não estiver com uma blusa ou uma camisa branca no show, acho que o negócio está errado.
Tacioli – As capas de seus discos são todas branco e azul.
Frank – A maioria branco e azul, que são as minhas cores. Já insistiram demais para eu mudar… O presidente da gravadora: “Porra, vamos mudar”. Mas o cara não consegue. [risos] Por isso falo que sou sofredor, porque acho que se eu mudar, se botar um vermelho, um preto, não-sei-o-quê, acho que não vai vender a mesma coisa. Então, sou um sofredor. Já está rolando o papo?
Dafne Sampaio – Já.
Frank – Legal! Mas são muitas coisas que acontecem. Quando meu olho direito treme é fatal, é coisa boa. Vou dar uma notícia de primeira mão. Ontem marquei um café da manhã pra fazer um negócio. Estava no flat. Tomei um banho e coloquei uma roupa. Depois lembrei que eu ia fazer um negócio e a cor daquela roupa não era propícia. Aí coloquei o preto com azul. Até cueca preta eu coloquei pra não mudar as cores. Duas horas depois, o negócio estava fechado. Foi perfeito, da forma como as partes queriam, sem nenhum constrangimento. Foi um contrato com a Sunshine. Primeira mão! E na segunda-feira a gente oficializará esse contrato. Eles vão me gerenciar a partir do ano que vem. [n.e. 2007] Fiquei preocupado, porque sou eu quem administro a minha carreira; sou o empresário, o editor, o produtor, tudo! E agora, indo pra Brasília, não quero entregar a carreira aos familiares que ficam no escritório…
Tacioli – No escritório do cantor?
Frank – Do cantor. Do político ninguém com o meu sobrenome, ninguém! Nada de nepotismo.

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