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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 24/25

A política é um negócio fascinante

[Frank senta ao piano de cauda da sala e toca um trecho de “Let it be”, dos Beatles, e “Right here waiting”, de Richard Marx]

Frank – Música é um troço tão gostoso, é um vício, assim, como se fosse…
Tacioli – Como falamos dos sanfoneiros, você tem também admiração por algum pianista?
Frank – Não, não tenho estudado muito algum pianista, não.
Tacioli – Mas você gosta de algum?
Frank – Não tenho feito muita história. Porque eu toco muito o sentimento, o que escuto na rua, já sei o tom, chego aqui e já faço a minha interpretação. “Puxa, mas se o cara tivesse feito desse jeito.” Viajando, sabe? Então, o bom é isso.
Tacioli – E a composição nasce onde, em que instrumento?
Frank – Composição não tem lugar pra nascer. Quando você pára pra inventar uma música, ela não sai boa. Então ela surge numa conversa, quando você descobre um tema, um nome para a música. Daí já imagino uma história com aquele título. Depois vem o mais difícil que é conciliar melodia com o título (tema). Se você acertar isso aí é o creme na bateria.
Tacioli – Mas tem aquela música que fica na gaveta?
Frank – Outro dia gravei a melodia de uma música no celular e somente depois fui escrevê-la. Aí é fácil, quando você tem uma melodia ferrada primeiro.
Almeida – Ô, Frank, letra você flui bem, você cria tranquilamente?
Frank – Não, não tenho muita facilidade, não. Principalmente agora, que vivo um momento muito tumultuado, ocupado.

[Frank mostra as dependências da casa]

Almeida – Então, letra é um negócio mais trabalhoso pra você?
Frank – Letra é mais trabalhoso. Tenho os parceiros, que têm o dom de organizar as palavras poeticamente e rimá-las. Eu tenho os parceiros. Moram tudo aqui perto. Montei apartamento pra todo mundo. [risos] Aí, de repente, tenho esse dom de contar uma história boa, que imagino que todos iriam gostar. “Olha, cara, o tema vai ser assim: vamos falar de sentimento ardido e tu vai desenhado por isso, por isso, por isso e por isso.” Aí chamo os seis e conto a mesma historinha pra cada um. “Vocês vão fazer a música. Aquela que me convencer é a que vai para o disco, é a que vai ganhar royalties, é a que vai ganhar advanced. Eles quebram cabeça. Dali a pouco chegam com as músicas. É maravilhoso tudo isso!
Tacioli – Você faz uma licitação, quem oferecer a melhor… [risos]
Frank – [Frank indica o estúdio localizado no piso inferior de onde foi realizada a entrevista] Ali é onde coloco a voz (nas músicas), é uma sala de voz.
Tacioli – Mas você mexe na mesa (de som)?
Frank – Não, mexo pouco. Tenho um técnico.
Almeida – Esse microfone aí é um ?
Frank – Esse é melhor do mundo. É um Neumann. É tudo do melhor. Sou chato. Se você pensa, ele grava seu pensamento. [risos]
Almeida – Esse aí é somente para voz?
Frank – Somente voz, somente para minha voz. Não deixo ninguém usar.

Em 2006, Frank Aguiar é eleito deputado federal por São Paulo com 144 mil votos. Foto: divulgação

Dafne – Não é pra vagabundo nenhum, não!
Tacioli – Mas, Frank, como era em comícios? Você sentia problemas com o microfone, com sua qualidade?
Frank – O mesmo dom não tenho pra falar. Morria de vergonha, mas ia, porque estava indignado com toda a cena. Havia dia em que eu fazia dez pronunciamentos nos comícios. Andava pelos calçadões e quando parava na esquina, autógrafo, pegava aquele fonezinho e pá, baixava o cacete, falava porque eu estava ali. A política é um negócio fascinante. Eu me identifico com político. Sou filho de político. Meu pai era vereador, tenho uma irmã deputada estadual, os irmãos do meu pai, a família toda… E política é assim, você se envolve… [Mostrando algumas fotos penduradas na parede do salão de festas] É no Pantanal, onde tenho uma bela fazenda. Aqui sou eu, no fim de tarde tocando o gado…
Almeida – As vaquinhas são suas também?
Frank – Sim, tenho muitas vacas. A fazenda é uma empresa. Tem escritórios, funcionários, capataz, gerentes, tudo.
Tacioli – Esse é o melhor investimento, Frank?
Frank – A terra é um bom investimento. Contratei um consultor. “Onde é melhor investir?” “Terra onde não tem infraestrutura.” “Por quê?” “Porque amanhã ela chega.” (…)

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