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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 22/25

Dominguinhos e Oswaldinho: um melhor que o outro

Tacioli – Frank, você começou tocando sanfona. Tem admiração por outros sanfoneiros, tirando o Luiz Gonzaga?
Frank – Tem dois caras que sou fanático. Dominguinhos e Oswaldinho do Acordeom. Eles são monstruosos, um melhor que o outro, e diferentes. O Dominguinhos é aquele cara que trabalha muito com a alma, ele não lê partitura. Quando você imaginar uma coisa que quer que ele faça na sanfona, ele já está tocando aquilo que imaginava. E do outro lado tem o Oswaldinho do Acordeom, que é maravilhoso, técnico, perfeito.
Tacioli – Nesta semana o Mário Zan morreu. Você conhecia alguma coisa do Mário Zan?
Frank – Eu conhecia de nome, mas a obra… Não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Esses outros dois são amigos. Um está na casa do outro, um vai ao show do outro, faz shows juntos, mas eu respeito muito a história do Mário Zan, tenho escutado alguma coisa.
Tacioli – Frank, já passamos do horário.
Frank – Agora não vou mais. [risos] Eu ia para o casamento às seis.
Tacioli – Você disse que está pensando em um próximo disco. Sua produção é anual?
Frank – Anual , faço uma obra de carreira por ano. E se estiver necessitado, faço um projeto especial. O que é isso? De repente não conseguimos atingir o combinado com a gravadora.
Almeida – De venda?
Frank – Não. Às vezes tem uma época em que a gravadora pede: “Veja se você tem uma ideia, traz mais um projeto pra nós. Frank Aguiar ao vivo, As melhores de Frank Aguiar, Frank Aguiar só xote, Frank Aguiar só forrozão”. E um próximo projeto é esta idéia que acabei de falar, que devo fazer.
Almeida – Mas com um repertório mais conhecido?
Frank – Eu pego uma música que não é deste estilo. [começa a tocar violão] O Fernando Mendes, quando eu cresci, tocava essas músicas em ritmo brega… [canta] “Não vejo mais você…”. Aí o Caetano pegou, voz e violão, e [canta] “Não vejo mais você faz tanto tempo…”. Diferente, não? Também o Caetano tem respaldo, tem nome. Aí eu pego uma música, sei lá, uma música pauleira, um axé, um forró, um samba, louca e agitada, e coloco em voz e violão. “Porra, esse cara é louco?!” Ou seja, as pessoas querem a coisa diferente.
Tacioli – Na imprensa, há ausência de crítica de discos de artistas populares. Você sente falta?
Frank – Sinto falta, claro.
Tacioli – A que se deve?
Frank – É uma coisa que ainda a gente tem de conquistar. Quando falo que estou contente, grato, não quer dizer que não tenho algo a arriscar. Televisão eu não reclamo. Na televisão tenho muito espaço, sempre, sempre. Do rádio sinto falta, que é importantíssimo, das revistas principais… mas a gente chega lá.

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