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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 19/25

Vendo ilusão

Tacioli – Quando você deixou o cabelo comprido?
Frank – Foi nesse dia também que eu disse que não cortaria o cabelo e que usaria o chapéu em todos os shows e, no final, jogo o chapéu. Eu sempre deixo o chapéu pros fãs. Ontem deixei, hoje vou deixar. Já é um chapéu bonito, com a minha marca, com a minha rubrica, assinatura. E o Cãozinho surgiu por causa do uivo, do grito que eu dava.
Dafne – Você primeiro soltou o grito ou criou a marca?
Frank – Vocês já sabem dessa história porque contei em todos os lugares. Eu aprendia a música à tarde e à noite queria cantar. Até hoje sou péssimo para decorar letra. E quando dava branco quando estava cantando, eu gritava [risos] e aí todo mundo delirava, gritava também. “Poxa, que sacada boa!” Pronto, aí ficou como marketing e segue até hoje.
Tacioli – Lembro que fui assistir um show seu no Olímpia há uns 6 anos e fiquei impressionado com seu marketing. Havia um pano de fundo no palco que era a imagem da capa do CD que estava sendo lançado, na entrada da casa eram vendidos chapéus, chaveiros, discos…
Frank – Eu me preocupei muito com esse lance do disco barato… Eu brigava com gravadora. Diziam: “Quero que seja vendido por tanto!” Não, tem de ser até aqui, o povo não tem dinheiro para comprar um produto caro. O importante para o artista é ter o produto na rua em quantidade. Tem de ter muito, muito senão ninguém vai conhecer a nossa obra. E um disco caro você vende menos. Não é bom.
Tacioli – Mas o seu disco também é pirateado, não?
Frank – Todos os discos, mas o meu menos porque é barato. Então é como se eu estivesse competindo com a pirataria; mas é um disco legal, quente… Vão vender por cinco. O meu sairá por oito, dez, mas é bonitinho, com capa bonita, com letras, verdadeiro. “Vou pagar dois reais a mais e levar um original!” Aí, dessa forma, quebra os piratas. Não é precisa bater neles, não precisa passar por cima de disco. Não é papel para o artista. Eu nunca apoiei muito esse comportamento dos colegas. Não somos nós quem temos de fazer isso. Aqueles miseráveis querem trabalhar, sobreviver – não estou apoiando o comportamento neste caso. Se você encontrar uma maneira de formalizar o trabalho deles… Esses dias eu me arrepiei quando estava em campanha e passei na 25 de Março [n.e. Rua do centro paulistano famosa pelo comércio atacadista e informal] e a cada cinco minutos eu escutava “Ó o rapa, ó o rapa!”, e a polícia com o cacete, e batendo, e pegando, e eles com as sacolinhas, às vezes não dava tempo… Eles querem sobreviver, vamos encontrar uma forma para essas pessoas trabalharem, para ganharem o dinheirinho delas, para pagarem um imposto mais reduzido. O Ministério da Cultura já poderia ter feito alguma coisa, assim como fez com o livro. A taxa de imposto que se paga é um absurdo, não tem como vender o disco mais barato. Então, onde eles conseguem ganhar? No mercado informal. Tenho propostas neste sentido cultural para fazer as pessoas trabalharem. Todo mundo tem o direito de trabalhar; são coisas que precisam ser revistas.
Almeida – Frank, geralmente as marcas têm de se atualizar. Você pensa também nisso, como mudar o visual para atualizar a sua marca?
Frank – Sim, estou sempre mudando. Antes eram aquelas roupas brilhosas, hoje não. As pessoas cobram isso, eu vendo imagem, vendo ilusão, apesar de não comprar ilusão, de não viver muito dela. Você é um ídolo e os fãs querem te ver bem vestido, ver você diferente.

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