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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 1/25

Eu levei uns 20 tiros!

[A equipe do Gafieiras ajeita seus equipamentos, mas já com o gravador ligado]

Daniel Almeida – Você é supersticioso, Frank?
Frank Aguiar – Muito. Sou sofredor. Muitas vezes fica aquela coisa na cabeça… Hoje eu saí, estava com o pequenininho [n.e. Breno, seu filho mais novo] e esqueci da sacola de fraldinha. “Não, não vamos voltar. Se voltar dá merda!” Isso tudo na minha cabeça, sabe?! Vivo sofrendo com essas coisas. E aí caímos na besteira de voltar. Eu, puto, já que não gosto de voltar quando saio de casa. Pra mim alguma coisa vai dar errado.
Almeida – Mas isso é uma coisa de toda sua vida?
Frank – Desde a minha infância.
Ricardo Tacioli – Você lembra da primeira vez que sentiu isso?
Frank – Eu me lembro. O meu pai é muito intuitivo. Ele é espírita. É uma cara que quando fala uma coisa pra gente, todo mundo morre de medo, tem que obedecê-lo, porque prevê as coisas. Uma ocasião, eu ainda era criança, ele chegou e disse: “Hoje ninguém sai de casa porque estou com um pressentimento fortíssimo que alguém da nossa família vai partir dessa pra outra”. Era uma segunda-feira. Foi um pânico! Todo mundo quis ficar dentro de casa. Ele estava prevendo, mas não sabia quem era. Depois, às seis horas da tarde do mesmo dia, a minha madrinha de batismo, que é casada com o irmão dele, passou o dia com a gente. E pra voltar para o sítio, que ficava a uns seis quilômetros da cidade, ela pegou um jumento. Lá no interior a gente usa muito esses animais. No meio do caminho apareceu um caminhão. O jumento tomou um susto e correu pra frente dele, que a esmagou, que acabou com a vida da minha madrinha de batismo. E assim tantas coisas aconteceram. Outro dia, meu irmão ouviu meu pai falando “Hoje não é para vocês saírem de casa!”, mas mesmo assim resolveu ir pra uma festa. Mas nem chegou… A caminhonete tombou e quebrou ele todo. Outro dia ainda eu estava tocando e ele, meu pai, à uma hora da manhã, endoidou lá no Piauí, sentindo que alguma coisa estava errada comigo aqui. Eu estava fazendo dois shows. Um à uma hora e outro às três da manhã, em outra cidade, Itaquaquecetuba. À uma da manhã, meu pai acordou desesperado: “Meu filho está em apuro!”. Acendeu a vela dele, fez as orações e ficou esperando eu ligar. Quando foi umas cinco e pouco, eu liguei pra dizer que havia acontecido um desastre comigo. “Pai!” “Meu filho, você está vivo?!” E eu me assombrei, porque ele não sabia de nada. Eu levei uns vinte tiros! O carro deu perda total de tanto tiro que levou. O cara roubou o dinheiro do show e arrombou o carro à tiro.
Almeida – É mesmo, baleado?
Frank – Foi bandido mesmo! “Pai, estou vivo! Por que o senhor quer saber?!” “Eu quero saber se você está vivo!” “Eu estou vivo, pai, mas não estou bem, não. Me assaltaram agora. Deram um monte de tiro no carro.” “Pois, meu filho, é a maior alegria que você pôde ter me dado. Reze, agradeça a Deus, a vida não tem preço. Amanhã você ganha outro dinheiro.” Aí fiquei confortado.

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