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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 18/25

Eu viajava em avião próprio

Almeida – No meu prédio, o zelador também era uma outra coisa dos teclados, apresentava-se ali no Largo da Batata [n.e. Localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo].
Frank – E aí fui contratado. Ganhei os teclados da Korg, porque ele queria que eu tocasse Korg. Na época o cara vendia 80 teclados por mês no Brasil; passou a vender 400 teclados como o meu. “Eu quero o teclado do Frank Aguiar.” Fiz um disquete com a minha batida, que quando desse o toque o sujeito já lembrava: “Porra, é o xote que o Frank Aguiar toca”, que era do “Casado também namora”. Depois o nome cresceu, peguei fama também, conseqüência do sucesso, e comecei a ser cobrado. Às vezes era convidado pra tocar em feiras grandes, palco de 40 metros, onde no dia anterior estava o Zezé de Camargo com não-sei-quantas carretas e, à tarde, eu ia lá conhecer e botava meu teclado, que era o conjunto todo. Aí o técnico perguntava: “E o conjunto, as coisas, que hora chegam?”. “Não, é isso aqui.” Ou seja, como novidade, tudo bem, eles aceitavam, mas eu precisava me preocupar para qualificar, para encher o trem… Aí botei banda em seguida, não brinquei em serviço. Viajava…
Almeida – E de onde…
Frank – Viajava em avião próprio. É isso que você perguntou, qual era o veículo?
Almeida – De onde veio…
Frank – Ah, desculpe-me. Entendi, e o veículo? [risos]
Almeida – Isso fazia parte da sua estratégia de marketing?
Frank – O quê?
Almeida – O chapéu, o grito.
Frank – Sim. O chapéu surgiu aqui em Capuava. Fui fazer um show e estava muito resfriado. Havia um senhor deitado, bêbado, com um chapeuzinho preto na cabeça. Esse chapéu está no museu. Eu peguei (o chapéu) pra me salvar da casa onde eu estava até o palco, que era na rua. Chovia. Peguei pra me salvar. E quando tocava, tive aquele aviso louco, sabem as intuições?! “Meu Deus, deixei o cara desprotegido!” [risos] E aí na volta procurei por ele, não o encontrei, já havia saído. Talvez tivesse se incomodado com a chuva; fiquei mal. Cobri um santo e descobri outro.
Tacioli – Mas era um chapeuzinho preto.
Frank – Um chapeuzinho preto, bem simplezinho. Voltei no dia seguinte com chapéu novo, pois não queria mais dar o dele. Havia feito uma promessa, um pedido que nunca revelei e que não vou revelar agora. Disse que se eu realizasse aquele pedido, eu ajudaria… Enfim, no dia seguinte encontrei-o, dei um chapéu novo pra ele e pedi pra ficar com o velhinho. Ele aceitou e se tornou meu amigo. Dois anos depois eu já havia realizado o meu pedido. A promessa eu paguei. Aí voltei, reencontrei com ele e ele pediu: “O senhor está bem agora? Pode me ajudar? Estou em dificuldade, desempregado, comecei a construir esse barraco e nunca tive condições de terminar, nem botar fio, nem de botar a parede. Somente comecei”. Eu já estava em condições e, num instante, fiz a casinha dele. Comprei tudo que faltava. Que felicidade!
Tacioli – E se relaciona com ele hoje, tem algum contato?
Frank – Não, já faz algum tempo. Inclusive agora, nesta campanha, fui lá mas não o reencontrei.
Almeida – Você falava do chapéu…
Frank – Daí fiz o pedido pra usar o chapéu durante cinco anos. Os cincos anos já acabaram, já são dez. Só que ficou o personagem, a imagem do chapéu, não estou conseguindo me libertar. Às vezes vou tirar foto com o chapéu do lado pra não dar choque, para os fãs não acharem que eu tirei de vez. Estou tentando… Num programa vou de chapéu, noutro sem, mas sou muito cobrado quando estou sem chapéu. “Olha o Frank Aguiar sem chapéu…”

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