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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 13/25

Acordei cedo para esperar o Gonzagão

Tacioli – Você falou e sempre cita o Luiz Gonzaga. Você chegou a ter contato com ele?
Frank – Tive em Itainópolis, a cidade onde nasci, quando ele tocou na vaquejada – aqui é o rodeio e lá é a vaquejada. E ele era o rei das vaquejadas, assim como os sertanejos são do rodeio. No dia em que o velho Gonzagão ia chegar, acordei cedo para esperá-lo. Fiquei na casa do prefeito, que hoje é a minha casa, a do meu pai. Ele chegou todo de branco, de chapéu de couro, umas botas, veio numa Veraneio, eu me lembro da cena. Poxa, eu não tinha nem seis anos de idade. Eu não havia ganhado a primeira sanfona. Acho que eu tinha quatro anos. E aí, ele, logo à tardinha, tocou na calçada da casa, com o prefeito. Ficaram biritando por ali. O show era somente no dia seguinte. E eu não perdi uma cena. Fiquei o tempo todo na calçada, descalço, de calçãozinho, molequinho de quatro anos, babei vendo Luiz Gonzaga. Eu não queria saber se ele tocava, queria estar ali perto. Era o ídolo. No dia seguinte acordei às cinco da manhã. O show dele começava somente às dez da manhã.

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Tacioli – Já tão pequeno e gostando…?
Frank – Já. Minha mãe diz que o choro já lembrava melodia. Nasci chorando, já como se fosse uma cantiga.
Tacioli – Você teve um contato posterior com ele?
Frank – Não, só o vi dessa vez. Tenho acompanhado e lido muitas histórias. Agora estou lendo um livro sobre ele escrito por uma francesa. E encontro muitas vezes coisas em comum com ele, sabe? Ele era um homem muito politizado, tinha muitos trabalhos sociais, gostava de muitas coisas que eu curto. Meu Deus do céu, como pode um negócio desses?! A música que faço não se parece com a dele. Eu nem pensei em copiar, quero curtir, quero ser fã, porém quero contar uma história também. Tanto é que a crítica bate de vez em quando dizendo “Frank está fazendo diferente, está modificando o forró”. Não, quero contar a minha história. E isso ajudou o forró até a quebrar barreiras, fazendo com que outras classes sociais curtam o forró. O forró pé-de-serra antes era muito restrito. E a gente veio, colocou violão, colocou teclados, vozes, vocais e não-sei-o-quê e um monte de parafernália e conseguimos atrair outra classe. Aí veio outra turma que gosta do tradicional pé-de-serra, como o Falamansa, e trouxe a turminha universitária, formadora de opinião. E com isso todo mundo foi contando uma historinha diferente. É muito bom, respeito muito essas diferenças.

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Forró
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