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Entrevistas de música brasileira

Frank Aguiar

Frank Aguiar por Jefferson Dias

Frank Aguiar

parte 12/25

Tenho quase todos os discos do Fagner

Tacioli – Frank, não sei como você está com o horário.
Frank – Eu estou bem, estou tranqüilo, vamos conversar.
Tacioli – [retorna à pergunta] Quando moleque, qual era sua imagem de artista de sucesso?
Frank – Eu sempre sabia o que eu queria.
Tacioli – Mas você consegue descrever como era isso?
Frank – Eu já era um moleque diferente: enquanto meus colegas iam pra balada pesada, para as danceterias, pros “dum, dum, dum”, eu procurava o localzinho onde o cara tocava uma música mais calma pra eu meditar, curtir, voz e violão. Eu já era diferente.
Tacioli – O que você gostava de ouvir?
Frank – O forró era o que mais eu curtia. Porque, quando cresci, vi meu pai tocando Luiz Gonzaga. Eu não escutava outra coisa. Tanto que o meu primeiro presente foi uma sanfoninha, com 6 anos de idade ainda. Eu já acordava vendo o pai tocar. Na hora em que ele saia pra roça, eu pegava a sanfona escondido, porque era grande e eu não podia. E, às vezes quando ele chegava da roça no final do dia e me via tocando, brigava. “Menino, tu vai quebrar tuas costelas, a coluna e tal.” Depois ele viu que não tinha jeito e resolveu investir, comprar a sanfoninha. Uma das canções que ele tocava [pega o violão e canta o “Xote das meninas”] “Mandacaru quando fulora na seca…” Essas canções são bonitas, melosas, regionais; elas contam histórias interessantes. E daí já fazia diferença, eu queria curtir esse tipo de coisa.
Tacioli – Na sua casa a música chegava de que forma? Por meio de disco, de rádio?
Frank – Era radiola da época, e eu não estou muito velho também assim, não! [risos] Tenho 36 anos.
Tacioli – Estamos todos nessa faixa.
Frank – Estamos por aí, não tô perdendo por muito, não. [risos] Na época era o Reginaldo Rossi, o Roberto Carlos, o Fernando Mendes, o Zé Ribeiro, o Lindomar Castilho. E meu pai tinha um bar e no bar havia uma radiola. E nós ajudávamos vendendo no dia de feira. Era o dia todo a gente curtindo a radiola tocar essas canções.

Capa de Traduzir-se (1981), oitavo disco de Fagner e seu primeiro lançado na Europa e América Latina. Foto: reprodução

Tacioli – Você lembra qual foi o primeiro disco que você comprou, o primeiro LP?
Frank – Eram desses artistas. Meu pai comprava porque ele tinha esse bar com a radiola.
Almeida – Mas o seu…
Frank – Eu não me lembro qual foi o meu, sabe? Não me lembro. Você me pegou… Mas, depois de Luiz Gonzaga, eu tenho absoluta certeza, quase uma certeza que foi (um LP) do Fagner, porque tenho quase todos os discos dele. Ainda bem jovem, moleque, eu tocava as músicas dele, eu curtia. Acho que foi do Fagner…
Tacioli – E você gostava de música internacional?
Frank – Não. Eu curtia as melodias, principalmente das músicas americanas. Eles são muito bons em melodia, mas eu não entendia o que falavam. Assim, não tinha língua, mas curtia. Quando eu morava lá, não havia FM, somente AM. E em AM tocava mais as músicas regionais mesmo. Então, não fui influenciado. Já na cidade maior havia as FMs; na época, 80% das músicas vinham de fora. As pessoas eram obrigadas a curtir mais. E graças a Deus, esse quadro virou; a gente curte mais a nossa música, a nossa história, o que é muito bom.

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