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Entrevistas de música brasileira

Fernando Faro

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Fernando Faro

parte 4/15

Não tenho boa memória. É a qualidade da emoção

Seabra  A sua memória é boa?
Faro  Não, não tenho boa memória, esqueci essa música. [risos]
Seabra  Mas, em geral, você considera que sua memória é boa?
Faro  Baixo, não é que eu tenha boa memória, tenho sabe o quê? Acho que é a qualidade da emoção. Entende o que eu digo? Que eu não me lembre com precisão, por exemplo, do Chico… Não me lembro com precisão de datas, mas eu sinto essa coisa.
Max Eluard  É mais uma memória emocional que…
Faro  É, é assim. Quando dou aula, digo, “Não sou professor. Não vou dizer para vocês, ‘Aconteceu nos anos…, Marcuse, Adorno’. Não vou falar isso para vocês!” [risos] Você se lembra?
Tacioli  Lembro.
Faro  Mas acontece o seguinte: fui testemunha e participei das coisas.
Seabra  O seu trabalho é, basicamente, a preservação da memória, né?
Faro  É. Sempre foi, sempre. Os teatros que fiz na Globo… Na Cultura fiz um conto do Luís Jardim – alguém já ouviu falar em Luís Jardim? Um conto chamado “O Homem que galopava”, que era uma história que puxa pelo engenho, pelas coisas de lá. Antes disso fiz na TV Paulista, onde comecei, uma chamada “Inácio Brinquinho”. Inácio Brinquinho foi um bandido que apareceu em Laranjeiras e que tinha uns brincos grandes. Ele chegava nos engenhos e dizia, “Se a senhora não me der tanto de dinheiro, vou matar seu marido e seus filhos!” Chegou num engenho, matou o marido. A mulher – que tinha 16, 17 anos – juntou o pessoal do engenho, os vaqueiros, e saiu atrás dele. Uma semana depois ela voltou e desfilou pelas ruas de Laranjeiras com a cabeça de Inácio Brinquinho. Antigamente se usava muito isso de cortar a cabeça. Vocês sabem como ela se chamava? Jurema Faro! [risos] Isso está na história de Laranjeiras!

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