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Entrevistas de música brasileira

Eduardo Gudin

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Eduardo Gudin

parte 3/13

Edu Lobo não junta 10 mil pessoas dançando

Tacioli – E que méritos você vê na Jovem Guarda? Você diferenciava algum na época?
Gudin – São tipos de música, cada um tem uma proposta. Hoje o cara bota todas as tendências num saco só. Não é ser antidemocrático, é uma questão de triagem natural. Você separa… Chopin é romântico, Beethoven é clássico. O Eduardo Gudin faz esse tipo de música, se preocupa com essas coisas, a Adriana Calcanhotto se preocupa com essas. Não é que você precisa separar para dizer que isso é mais legal. Para eu me interessar pela música tem que ter harmonia que caminha junto com melodia, tem que ter tensões harmônicas. Então se o cara faz uma música que a harmonia não caminha, não tenho interesse. A música pop não anda desse jeito, não tem tensões harmônicas, de resolução de tônica, dominante, subdominante, é outra onda, com menos acordes, mas é uma outra onda. A Jovem Guarda tem que ser vista assim. Botar no mesmo saco o Edu Lobo e o Leno & Lilian não tem cabimento, não é a mesma coisa! A proposta de um é uma. E serve para outra coisa. A música do Edu Lobo não vai servir para juntar 10 mil pessoas dançando. Não é para isso que ele faz a música.

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Max Eluard – Mas tem uma diferença na qualidade da informação entre esses dois tipos de música.
Gudin – É uma proposta mais difícil de ser executada e feita, não que seja obrigatória. Em tese requer um pouco mais de cuidado, de qualidade, mas é muito ruim colocarmos o parâmetro de qualidade de uma coisa pessoal, porque fica autoritário. Queria que fosse separado, que eu não precisasse disputar o mercado com o Zeca Baleiro, entendeu? A preocupação dele é outra, não é a mesma que a minha. Ele parte de outro princípio. Eu jamais daria como minha uma música que ele faz se não tiver determinadas coisas. E a mesma coisa ele deve pensar de mim. As pessoas tem essa expectativa. Agora, o estilo de música que eu faço, que é mais ou menos o que se convencionou chamar de MPB clássica, que vem desde o começo do século XX com Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga até Djavan, tem essas características de muita tensão, de harmonia e letra. Djavan é o último. O Guinga para mim é mais velho que o Djavan. Conheço o Guinga de antes.

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