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Entrevistas de música brasileira

Eduardo Gudin

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Eduardo Gudin

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Samba, polenta e reflexões

Estava tudo certo para a primeira entrevista do Gafieiras. Bar Paulistano, às 19h30 da quarta-feira, 24 de outubro. “Por favor, aquele que está indo ali é o Eduardo Gudin?”, perguntei desesperado aos manobristas do Paulistano apontando para um homem alto, de camisão preto e cabelos esvoaçantes. “Quem?” Os quinze minutos de atraso foram fatais. No bar não havia ninguém, somente um número de telefone escrito num guardanapo.

Uma das principais referências do samba paulista, Eduardo Gudin é a síntese da romântica trajetória de um artista nos últimos 30 anos. Compositor, violonista, cantor, arranjador, orquestrador, produtor e degustador de polentas, o boêmio Gudin batizou-se em 1966 no programa O fino da bossa, apresentado por Elis Regina na TV Record. Participou de festivais no final dos anos 1960 e ao longo da década seguinte fez shows e dois discos antológicos com a cantora Marcia e o compositor carioca Paulo Cesar Pinheiro. Parceiro de Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Herminio Bello de Carvalho, Roberto Riberti, Elton Medeiros, entre outros, Gudin projetou-se nacionalmente no Festival dos Festivais de 1985, com sua composição “Verde” (assinada com J. C. Costa Netto) defendida por Leila Pinheiro. Como produtor, criou e dirigiu o 1º Festival Universitário da TV Cultura, que revelou Arrigo Barnabé; produziu discos de Beth Carvalho (Canta o samba de São Paulo), Vânia Bastos, Celso Viáfora, Ivan Lins e do regional Época de Ouro; e formou em 1989 a Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo. Dono de uma importante discografia, Gudin lançou pela Dabliú em 2001 Luzes da mesma luz, álbum comemorativo de seus 50 anos de idade, com canções de sua autoria interpretadas por Fátima Guedes e acompanhadas por orquestra.

Com a mesa esnobando chopes e a primeira porção de polentas com queijo, a equipe de entrevistadores aguardava tranquila, depois de um telefonema para aquele número de guardanapo, o retorno do autor de “Mordaça” e “Maior é Deus”, ambas com Paulo Cesar Pinheiro. Uma hora depois, no bar do humorista Serginho Leite que um dia foi seu baixista, em trio completado pelo então baterista Arismar do Espírito Santo, Eduardo Gudin dissertava sobre produção cultural, modernidade e sambas, lembrava sua infância, início de carreira e Adoniran, tudo sobre o olhar atento de um único refrigerante. Sem gelo, limão ou laranja.

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