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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 7/25

Vou embora pro asilo!

Gafieiras – E quais foram os grandes momentos, de alegria e de vida?
Dona Inah – Marcou ter grandes amigos, de conhecer a Europa e trabalhar lá pra pessoas bacanas. Eu estive na França, na Espanha e no Marrocos. Trabalhar no Teatro Municipal, que é uma coisa que sempre desejei, me marcou muito, chorei muito naquele dia. Entrar no Le Maison de la Culture da França. Entrei no teatro e falei “Será que sou eu que estou aqui?”. Você chegar, olhar e ter 15 mil pessoas pra te ouvir.
Gafieiras – Isso foi lá?
Dona Inah – Em Marrocos. Na cidade de Rabat (capital). Então, tudo isso me marcou muito. Hoje eu sou vencedora!
Gafieiras – Como foi o momento dessa virada?
Dona Inah – Essa virada foi depois de muita luta, de muitos problemas, depois de conhecer vários amigos. Eu estava numa situação caótica, querendo parar de cantar, parar com tudo. Eu morava com os filhos, com os netos; queria parar com tudo! Foi quando conheci vários amigos.
Gafieiras – Quando foi isso, Dona Inah?
Dona Inah – Isso foi em 1996, 1997, mais ou menos. Conheci (essas pessoas) que me deram muita força. Então, trabalhamos juntos e foi indo… Aí cismei de ir para o asilo. “Vou embora pro asilo. Vou embora que eu tô cansada de tudo!” Comentei com o Cidão uma vez. “Cidão, tô tão cansada da vida… Não quero saber de nada mais.” Foi quando conheci pessoas que… Sabe quando você está se afogando e aparece alguém que te pega pelos fios de cabelo? Aconteceu comigo. São amigos, são pessoas que me deram credibilidade, que me ajudaram. E (foi) nessa época que conheci o Heron. O Heron estava fazendo o show-tributo à Clementina de Jesus. Ele falou que estava procurando uma cantora. Já tinha a Marilia Medalha, a Fabiana Cozza, e precisava de uma outra. Aí ele falou com uma amiga da gente, a Roberta (Valente). “Você conhece a Dona Inah? Você vai gostar dela!” Foi quando ele me conheceu na Rua do Choro, lá perto da (loja) Contemporânea. Ele me falou que iria fazer o show da Clementina comigo. Eu nem acreditei. “Olha, há 50 anos eu tenho uma promessa e nunca aconteceu nada, nem gravação, nem nada.” Dali a 15 dias ele me deu o roteiro. Nesse show eu conheci o Herminio Bello; estava pra gravar com o (bandolinista) Isaías de Almeida fazia tempo. Já tinha me apresentado pro Marcos Vinicius, mas alguma coisa havia dado errado. Era pra fazer um disco de choro. Então, o Herminio Bello falou: “Vai gravar!”, e foi quando eu gravei o meu primeiro disco. O Heron me ajudou muito; amigos me ajudaram. Isso me marcou muito, e até hoje. Dali um ano, um ano e pouco da gravação do disco, fui fazer esse show no (Teatro) Municipal, durante o encerramento do Ano da Cultura Mundial (do Fórum Mundial da Cultura). E lá teve vários representantes do exterior, da Europa. Foi quando o senhor Sherife falou: “Eu quero a Dona Inah na França no ano que vem, no ano do Brasil na França!”. Eu falei: “Não sei se vou, de repente, mais promessas… E como sempre vivi de promessas…”.
Gafieiras – A senhora nunca tinha viajado pra fora do Brasil?
Dona Inah – Foi a primeira vez. Antes, tinha promessas… Dali uns três meses, veio o Heron com os documentos: “Dona Inah, tire o passaporte porque a senhora viaja em março pra França”. Aí foi só alegria, né? Estive na França. Da França fui para a Espanha. Fiz três shows na Espanha, só voz e violão. Para a França levei vários músicos: Zé Barbeiro, Magno do Violão, Cássia Maria… E fizemos uns shows bonitos lá. Depois eles voltaram e nós (eu e o Marco) fomos pra Espanha passear. Fizemos três shows voz e violão em Zamora.

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