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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 6/25

Depois de trabalhar em banheiro, na roça, (...) hoje sou feliz!

Gafieiras – A gente sempre faz um apanhado de informações do artista antes de entrevistá-lo. Aí tem a história de um disco que a senhora fez… Quando foi?
Dona Inah – Era um compacto. Foi (gravado) antes da Record pegar fogo.
Gafieiras – Foi em 78 rpm, Dona Inah?
Dona Inah – É, era lado A e lado B.
Gafieiras – Compacto já era 33 rpm…
Dona Inah – Nem lembro mais da música…
Gafieiras – Foi somente um (disco)?
Dona Inah – Só um.
Gafieiras – Eram duas ou quatro músicas?
Dona Inah – Duas músicas. Depois perdi, procurei… Já pesquisei.
Gafieiras – Mas como ele surgiu, Dona Inah?
Dona Inah – Como a gente trabalhava na Record, falaram: “Vamos gravar um disco?”. “Vamos!” Fomos ao estúdio e gravamos para depois fazer o lançamento por alguma gravadora… E esse disco foi perdido. Perdeu-se tudo… Aí procurei em vários lugares e o pessoal falou “Naquele incêndio que teve na Record foi embora muito arquivo, muita coisa!”. Então se perdeu tudo, né?
Gafieiras – Mas esse disco não chegou a ser comercializado?
Dona Inah – Não, não foi. Foi para a TV Record. A gente ia lançá-lo depois por uma gravadora, mas não foi possível.
Gafieiras – E a senhora não se lembra quais foram as músicas?
Dona Inah – Não lembro, francamente, não lembro. Tentei lembrar, mas não lembro. Eu era tão mocinha naquela época; não me lembro mais.
Gafieiras – E qual era o nome artístico da senhora?
Dona Inah – Naquela época era Ignez Francisco, que é meu nome. Mas depois começaram (a falar): “Ignez Francisco fica muito comprido, esquisito. Vamos inventar um nome pra você!”. E foi indo, foi indo… “Ana não dá porque tem a Inhana já!” Aí o pessoal falou “Vamos por Inah!”. Então, ficou Inah Silva, e eu falei “Tudo bem!”. E agora, depois de muitos anos, o Herminio Bello (de Carvalho) falou: “Nada de Inah Silva; (é) Dona Inah!”. Então, ficou Dona Inah.
Marco – Foi o Heron (Coelho) que veio com essa história…
Dona Inah – Foi o Heron juntamente com o Herminio…
Gafieiras – Então, o Dona Inah é bem recente.
Dona Inah – É, Dona Inah é recente, bem recente. E esse nome me deu muita alegria, muita coisa, mudou minha vida.
Gafieiras – Dona Inah, quem acompanhou a senhora nesse disco? A senhora lembra?
Dona Inah – Acho que foi o Reginaldo Carlinhos, que era da Record.
Gafieiras – A senhora lembra quem formava o grupo?
Dona Inah – Não, só lembro do Carlinhos que tocava o violão. Não me lembro mais. E olha que eu trabalhei com vários… Mesmo agora se você me perguntar o nome dos músicos com os quais trabalho… Às vezes esqueço até o nome dos músicos. O Marco dá risada. Ele chega e diz: “Inah, você conhece aquele cara?”. “Conheço!”
Marco – Chamou o Tiago de Douglas no meio do show..
Dona Inah – Eu mudo tudo… Eu só não esqueço música.
Gafieiras – Já é um grande feito.
Dona Inah – De vez em quando eu esqueço alguma letra, mudo a letra… No show passa tudo desapercebido.
Gafieiras – A senhora acha que esse primeiro disco foi uma coisa passageira ou que, naquele momento, poderia (mudar sua vida)?
Dona Inah – Eu acho que foi (uma coisa) passageira, porque na minha caminhada de música tinha tanta promessa, tanta coisa… “Você canta bem! Vou te ajudar, não-sei-o-quê”, e eu só esperando… De repente, “E o meu negócio?”. “Ah! Não deu pra fazer!” Então, eu estava tão cheia de promessa que não acreditava em ninguém mais. “Mas um dia vou chegar onde quero!” Sempre lutei pra chegar (onde estou) hoje, e isso demorou quase 50 anos.
Gafieiras – Hoje é o melhor momento da vida artística da senhora?
Dona Inah – Hoje é o melhor momento da minha vida artística, da minha vida toda! Hoje eu vivo! Depois de trabalhar em banheiro, trabalhar na roça, trabalhar de babá, de cozinheira, de lavadeira; de passar necessidades por aí com filhos… Hoje eu sou feliz! Hoje eu vivo!

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