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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 5/25

Fui limpar banheiro público

Gafieiras – A senhora lembra quando ela começou a fazer sucesso?
Dona Inah – Quando ela foi embora com o circo e com o Cascatinha, ela ficou tempo sem cantar. Ela casou e foi embora com ele. Primeira música que ela gravou acho que foi “La Paloma”. [ canta ] “Quando amanhece o dia no meu sertão…”
Gafieiras – Aí tocou em rádio?
Dona Inah – Tocou muito, foi muito sucesso!
Gafieiras – E aí vocês já sentiram que dava para seguir uma carreira profissional?
Dona Inah – Quando ela gravou o primeiro disco, já estava aqui em São Paulo com o Cascatinha. Por orgulho, meu pai nunca chegou a pedir “Minha filha quer cantar aquele negócio!”. Ele nunca foi de pedir nada a ninguém, entendeu? E eu também fui na linha dele. Ela cantava, eu cantava… A gente nunca foi de falar “Eu quero que você me ajude! Quero que você faça…!”. Nunca teve essa liberdade…
Gafieiras – Mas não chegou a servir de incentivo?
Dona Inah – É, serviu, porque quando cheguei em São Paulo em 1954, fui pra um concurso de calouro. Inaugurei a Rádio Clube de Santo André, onde trabalhei. Fui a primeira cantora. De lá, fui pra Record. Eu fazia programa semanal na Record, uma vez por semana no programa só para mulheres com o Blota Jr. e Sonia Ribeiro. Lá eu encontrava muito com ela (Inhana), mas ela era casada, aquele negócio, tinha a vida dela. Eu nunca fui de pedir! “Vou vencer, mas vou vencer como eu quero!”. Acho que isso (o fato de não pedir favores) às vezes me prejudicou, mas acho que eu consegui!
Gafieiras – Como foi que a senhora começou a viver de música?
Dona Inah – De música, música mesmo, depois de 1972, 73, mais ou menos. Em 1972, eu estava vivendo de música. Depois fui trabalhar na prefeitura de São Caetano. Me arrumaram um serviço, sabe?!
Gafieiras – Como assim?
Dona Inah – Ah, me arrumaram um emprego, né?!
Gafieiras – Quem arrumou?
Dona Inah – Um senhor chegou pra mim e falou: “Você quer trabalhar?”. Aí eu falei: “Eu trabalho, eu canto!”. “O que você faz durante o dia?” “Nada!” “Eu faço limpeza em casa de família; eu cozinho, eu lavo, eu passo.” “Quer trabalhar na Prefeitura? Então, vá lá na segunda-feira e comece a trabalhar.” Aí eu fui.
Gafieiras – Como era o trabalho?
Dona Inah – Era limpar banheiro público. Mas eu fui e o pessoal me criticou muito, porque falei “Pra quê vou trabalhar? Sou registrada, vou trabalhar, vou ter… “. Fiquei dez anos lá e com 65 anos (de idade) eu me aposentei.
Gafieiras – Mas aí logo depois você passou pro escritório…
Dona Inah – Então, do banheiro eu comprei uma máquina de escrever e fui bater máquina em casa. Com o manual fui aprendendo e aí fui transferida para fazer cafezinho no escritório na sessão de Parques e Jardins. Lá eu ajudava a bater (datilografar) algum trabalho. Já tinha a função mais leve, né? Cantava também em outros lugares…

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