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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 3/25

A vó me chamava de chifruda desde pequena

Gafieiras – Quando foi a última vez que a senhora viu a vó Joana?
Dona Inah – A vó Joana eu vi pela última vez… Eu vim pra São Paulo em 1954, ela faleceu em 1963. Eu estive lá quando ela faleceu, depois nunca mais. De 1954 à 1960 eu estive, eu vi. Em 1960 fui à casa dela passear, minha mãe era viva também. Fui lá visitá-la e logo depois ela faleceu. Mas ela faleceu bem velhinha, com 105, 106 anos.
Gafieiras – Então, a última vez que você a viu viva foi em 1960?
Dona Inah – E a minha bisavó também. Ela morreu em 1957 mais ou menos; eu estava com 15, 16 anos, e ela, pela conta que o pessoal dizia, tinha 120 e poucos anos. Ela era velhinha, velhinha, mas andava e falava mais do que a boca.
Gafieiras – Ela continuava autoritária ou ela tirava sarro?
Dona Inah – Continuava. Ela me chamava de neguinha, guampudinha e não-sei-o-quê, ela brigava comigo, mas eu não ligava. Depois de velha que eu vim saber o que é guampuda, que ela me chamava tanto.
Gafieiras – E o que é guampuda?
Dona Inah – Eu chorava! Aí a vó me chamou de um palavrão! Guampa é chifre, é chifruda. O pessoal falava: “As guampas do boi!”, mas o que é guampa? “Ah, guampa é o chifre…” A vó me chamava de chifruda desde pequena e depois de velha é que (vim a saber)…
Gafieiras – Nessa última vez que a senhora viu sua vó, em 1960, a senhora já estava cantando?
Dona Inah – Já, eu sempre cantei. Comecei a cantar com meu pai na minha cidade, lá em Araras. Eu comecei a cantar com oito anos de idade. Meus tios todos eram músicos, os irmãos do meu pai, todos os irmãos da minha mãe eram catireiros. Era música de viola e catira, e eu dançava catira. Eles cantavam catira e eu dançava no meio do pessoal. E por parte de pai todos eram músicos, sambas, aquele negócio, né… Havia conjuntos, e eu comecei a cantar com meu pai…
Gafieiras – Mas ia se apresentar ou cantava somente na roda?
Dona Inah – A primeira vez que eu cantei tinha sete anos. Havia um serviço de alto-falante na cidade e tinha um concurso de cantora. Eu cismei com meu pai que precisava cantar naquele programa. Fui cantar e ganhei. Ganhei e continuei cantando. Ganhei uma boneca grande de papelão, aqueles presentes, e continuei cantando naquele alto-falante. E com 13 anos comecei a cantar na orquestra da cidade, orquestra do Hugo Montanhore. Ele era o maestro da banda. Eu comecei a cantar com ele na cidade e fazia programa todo fim de semana na Rádio Ducaroda de Limeira e Rádio Clube de Rio Claro, meia hora de programa em cada lugar. E aí foi indo minha vida como cantora… Independentemente disso trabalhava na roça ainda pra ajudar meu pai, minha mãe.

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