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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 23/25

O Adoniran ficava sentado tomando umas biritas

Gafieiras – Dona Inah, a senhora é muito amiga do Eduardo Gudin, e ele também foi parceiro do Adoniran Barbosa. A senhora conheceu o Adoniran?
Dona Inah – Adoniran conheci na Record; ele estava sempre lá. Na noite, ele ficava numa casa na Consolação que nem existe mais – hoje é um barraco, um galpão velho, uma casa de bico. Então, eu saía do Som de Cristal e ia pra lá. Ele ficava sentado tomando umas biritas. A gente conversava muito, mas não tinha aquela liberdade. Estava sempre bêbado também, né?! [ risos ]
Gafieiras – Quem, ele ou a senhora?
Dona Inah – Ele.
Gafieiras – Ou ambos?
Dona Inah – Bom, eu também estava um pouquinho. [ risos ] Boa pergunta, não sei.
Marco – “Não me lembro!”
Dona Inah – Não me lembro! [ risos ] Mas ele era uma pessoa bacana, uma pessoa delicada.
Gafieiras – A senhora falou da Consolação, e ali também teve o Jogral, na Maceió.
Dona Inah – Jogral… Eu trabalhei no Jogral.
Gafieiras – A senhora trabalhou em qual Jogral, porque ele teve três sedes: na Avanhandava, na Galeria Metrópole e na Maceió…
Dona Inah – Não, não, eu trabalhei na Maceió mesmo.
Gafieiras – Na Maceió mesmo? Então, a senhora não conheceu o (Luiz Carlos) Paraná.
Dona Inah – Luiz Carlos Paraná… Eu o conheci.
Gafieiras – Conheceu?
Dona Inah – Conheci.
Gafieiras – Como era?
Dona Inah – Ele era bacana, era produtor de música também. Ele trabalhava na Sinclair, parece.
Gafieiras – E do Jogral, o que a senhora lembra?
Dona Inah – Eu fazia muita folga nessas casas. Uma cantora faltava e eu ia lá… Jogral, Dakar… Qual outra? Eu trabalhei em várias casas que nem lembro o nome. Muitos cantores… Tnha a boate Asteca, no Largo do Arouche, uma casa de samba muito boa.
Gafieiras – No Jogral a senhora se lembra se cruzou com alguém conhecido, alguém que a senhora admirava?
Dona Inah – Não, no Jogral, não! Quem gostava de lá era a Aracy (de Almeida). Ela ia lá passear.
Gafieiras – E a Aracy, Dona Inah?
Dona Inah – Com ela não tinha muito papo, não. Ela era bocuda, era mal-criada, mas ela tratava a gente bem…
Gafieiras – Ela morou uns tempos em São Paulo, né?
Dona Inah – Morou uns tempos aqui, mas ela num era de muito papo, não, mas era bacana, uma pessoa que não ofendia ninguém. Eu gostava… Também, sempre tive amizade com todo o mundo. Quando eu via que não dava, já saía de lá pra não ser ofendida, porque se me ofendessem, naquela época em que eu bebia, já rodava a baiana… [ risos ]. Então, eu evitava de rodar a baiana.

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