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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 22/25

Primeiro rádio que tivemos em casa eu já estava com 20 anos

Gafieiras – Tem alguém do samba, na sua relação como fã, que te decepcionou? Sabe aquele ídolo que caminhava pra cá, foi pra lá, e a senhora falou “Não gosto mais desse tipo de música ou desse artista”?
Dona Inah – Não, eu acho que isso nunca aconteceu comigo.
Gafieiras – Como era a relação da senhora, principalmente quando era menina, com o disco? A senhora comprava disco? Tinha oportunidade de comprar disco?
Dona Inah – Ah, não tinha. A gente era tão pobre que não comprava disco. Só ouvia na casa dos outros. Não ouvia nem rádio, só ouvia na casa da vizinha. Nem rádio em casa tinha. Primeiro rádio que nós tivemos em casa eu já estava com 20 anos. Num tinha rádio, ouvia no vizinho.
Gafieiras – E qual era o espaço que rádio ocupava na casa?
Dona Inah – Ah, eu gostava de ouvir música, né?! Meu pai gostava de ouvir futebol. Pegava muito o programa de calouro Aí vem o pato, do Ary Barroso, aqueles negocio lá. Mas rádio tive na minha casa muito adulta, não dava pra comprar.
Gafieiras – E o rádio ficava na sala?
Dona Inah – Primeiro rádio que meu pai comprou era um radinho bonitinho. Aí, então, o rádio deu um problema. A casa em que eu morava não tinha forro, era aberta em cima, sabe essas casas que não tem forro? Foi a primeira casa que meu pai fez. Então, o rádio deu problema, meu pai ficou nervoso, não podia ouvir o programa evangélico dele e aí eu levantei e falei: “Pai, a gente vai dar um jeito. Amanhã a gente leva para alguém arrumar”. Eu e meu irmão abrimos o rádio e consertamos. Puxamos um fio pra lá, outro pra cá, demos um jeito. “Pai, o rádio tá funcionando!” Na terceira vez que o rádio quebrou, nós fomos arrumar. Consertamos e o colocamos em cima do armário da cozinha. Do outro lado, no outro quarto, também não tinha forro. Aí falei: “Pai, pode ouvir o seu programa amanhã de manhã que o rádio tá ótimo, tá funcionando!”. Ele ligou o rádio às cinco e meia da manhã [ risos ], tocou dois minutos e deu um estouro! [ risos ] A tampa do rádio voou em cima de nós lá no quarto! [ risos ] Acabou com o rádio. Meu pai ficou tão nervoso… [ risos ] Não sei o que fizemos, algum fio errado, que explodiu! [ risos ] Aí, depois de todos uns tempos, dei um rádio pra ele e ficou muito contente. Mas são coisas pequenas…
Gafieiras – A senhora participou de muitos programas de calouros?
Dona Inah – Não, só na Rádio Cultura.
Gafieiras – Só na Rádio Cultura? Por quê?
Dona Inah – Porque eu nunca participei na minha cidade quando era criança, e quando vim pra São Paulo, o único programa de calouros que participei foi o da Rádio Cultura. Chamava-se Pereira Rondini. Fiz inscrição em Santo André para participar do concurso. Participei e ganhei o concurso. Depois, então, abriu as portas para a inauguração da Rádio Globo e fiz o show em Santo André. Nunca participei mais de (programa) de calouros. Foi o primeiro e o último.

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