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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 17/25

Ser famosa não vai mudar a minha vida

Gafieiras – Dona Inah, como a senhora vê a fama?
Dona Inah – Ah, a fama tá na cabeça da gente, né?! Eu morei seis anos em um prédio. “A senhora enganou a gente! Mora aqui há tanto tempo e não falou que era cantora!” “Ah! Porque vou falar pra vocês que sou cantora? Vou escrever uma placa e (colocar) na minha cabeça: sou artista, sou cantora? Pra quê? Eu quero ser o que sou. Eu quero que as pessoas me vejam em cima de um palco como gente, como pessoa comum. Eu não sou ninguém!” Estou conversando com vocês agora. À noite, venho aqui no Cidão, eu abraço, eu beijo todo mundo, eu converso. Pra que vou empinar o nariz? Pra quê? Não adianta, não resolve nada, a gente tem que ser o que a gente é. Eu sou o que eu sou.
Gafieiras – Mas o que melhorou ou piorou na sua vida depois que (a fama chegou)?
Dona Inah – Melhorou porque tem um pouquinho mais de trabalho. Fiquei mais conhecida, mas isso de ser conhecida não vai mudar minha vida. Eu conheci você aqui, mas se eu for ali fora e alguém me falar “Dona Inah, eu conheci a senhora, tudo bem?”, eu vou cumprimentar, vou falar, vou fazer a mesma coisa. Eu não sou melhor que ninguém. Se eu ganhei, se eu subi, se fui reconhecida, foi por méritos meus. Agora, não posso me levantar como muitos levantam a cabeça e não olham pra baixo.
Gafieiras – A sua vida não mudou?
Dona Inah – Não, eu sou a mesma. Eu levanto de manhã, vou ao mercado, ponho o chinelo meio rasgadinho no pé e vou ao mercado… E não tô nem aí com o que os outros dizem, sabe? Importa o que eu sou aqui dentro.

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