gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 14/25

Na hora do show o público manda na gente

Gafieiras – Dona Inah, quando a senhora conheceu o Marco?
Dona Inah – O Marco eu conheci faz cinco, seis anos. Foi em 1997.
Gafieiras – Foi na época do disco?
Dona Inah – Foi bem antes. Nós fazíamos muito trabalho juntos. Trabalhava com um grupo de choro. Foi uma pessoa muito importante na minha vida.
Gafieiras – A senhora estava solteira?
Dona Inah – Tava solteira. Uma pessoa importante na minha vida. Uma pessoa que o tempo em que eu viver não posso esquecer nunca.
Gafieiras – A senhora é mãe de quantos filhos?
Dona Inah – Eu tive sete filhos: três morreram pequenos e uma morreu moça, em 1988. Morreu com 19 anos.
Gafieiras – Do mesmo marido?
Dona Inah – Isso, do mesmo marido. Essa morreu com 19 anos. Era a minha caçula e eu fiquei com três filhos vivos, dois homens e uma mulher.
Gafieiras – E todos moram aqui em São Paulo?
Dona Inah – Um mora em Ribeirão Pires, depois de Santo André. Um está morando no Rio. E uma está morando aqui em Santo Amaro. É difícil a gente se cruzar, porque o que mora no Rio não é sempre que vem na minha casa. O que mora em Ribeirão Pires é um que gosta de uma canjebrina, sabe? E ele sabe que eu não gosto. Então, nem vem em casa. Ele liga quase todo dia. “Mãe, tá tudo bem? Tá tudo bem. Então, tá bom! Tchau!” A minha filha também tem a vida dela, tem os filhos dela. Mas eu gosto de todos eles. Embora tenha alguns desacertos, não tenho mágoa de ninguém. A gente tem que ter amor em tudo na vida.
Gafieiras – Esses desacertos que sempre acontecem em família, de um jeito ou de outro, vão se acertar em algum momento?
Dona Inah – Depende. Eu acho que depende muito das pessoas. Tem acerto que não tem acerto, é um desacerto mesmo. Não tem jeito, não tem volta. Pra alguns tem, né, mas pra muitos não tem volta, não. Às vezes, quanto mais você tenta voltar, mais desacerta.
Gafieiras – De que forma esses desacertos influenciaram a sua vida artística, a sua forma de cantar, o repertório?
Dona Inah – Não influencia, não, viu! Eu tenho muita tristeza quando vejo um amigo em dificuldade, coisa que acontece com pessoa querida, então, a gente fica meio abalada, mas não faz diferença esse negócio… Tudo é relativo à vida da gente, então, pra mim, não traz desconforto, não. Quando começo a cantar, não penso em nada. Penso em mim e no público.
Gafieiras – São coisas separadas, Dona Inah?
Dona Inah – Eu acho que sim, porque o público que vai ver um cantor não quer saber se ele tem ou não problema.
Gafieiras – Mas, e dentro da senhora?
Dona Inah – Dentro às vezes machuca, mas você tem que dar risadas pro público, sorrir, agradá-lo porque ele não tem culpa dos meus problemas. Se vocês vão ver um show meu, e eu tô com um problema sério, com dor, vocês tem culpa? Vocês vão lá, vocês pagaram, vocês querem um show. Não querem ouvir um show de lágrimas. Querem ouvir um show. Um show bom. Depois que termina o show a gente vai lá no camarim, chora, se descabela, mas na hora do show o público manda na gente.

Tags
Dona Inah
de 25