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Entrevistas de música brasileira

Dona Inah

Dona Inah por Jefferson Dias

Dona Inah

parte 10/25

Ganhei o Prêmio TIM, mas trabalho mesmo não apareceu

Gafieiras – Dona Inah, pintou mais trabalho depois de gravar um disco? Que portas o disco abriu para a senhora?
Dona Inah – Ah, o disco, se é bem trabalhado, abre muitas portas pra gente, sabe? O meu disco vendeu bem, tá vendendo ainda. E abriu várias portas, vários shows, né? Não sei, poderia ter aberto muito mais; não foi aquele negócio muito grande, mais deu pra gente…
Gafieiras – A senhora não ganhou um prêmio por conta desse disco?
Dona Inah – É, eu ganhei o prêmio TIM, mas trabalho mesmo não apareceu muito. Mas ganhei o Prêmio TIM (na categoria) Revelação do Ano 2005. Foi uma coisa que eu não esperava.
Gafieiras – Como foi essa história?
Dona Inah – Acho que foi a (gravadora) UMES que mandou o disco pra esse Prêmio TIM; eu nem sabia, né! Aí um belo dia o Heron falou pra mim: “Dona Inah, seu disco foi indicado para o Prêmio!”. Aí falei: “Que legal, né?! Indicar é uma coisa. Posso indicar todo mundo. Aí, logo depois da indicação publicada, veio o convite pra participar da entrega dos prêmios. “Ah, mas eu não ganhei nada. É como se fosse o Oscar: você vai lá, participa, e é na hora que você vai saber. “Tá bom! Então vamos!”
Gafieiras – Em quantas categorias a senhora foi indicada?
Dona Inah – Em duas: melhor sambista e revelação. Fui indicada, mas não sabia se ia ganhar alguma coisa.
Gafieiras – E (a premiação) foi no Teatro Municipal do Rio?
Dona Inah – Foi lá no Rio.
Gafieiras – Quem concorreu com a senhora de melhor sambista?
Dona Inah – Fabiana Cozza e Alcione. Revelação foi Fabiana Cozza e um cantor que não lembro o nome dele, um violonista.
Gafieiras – Como foi a cerimônia?
Dona Inah – Ah, foi ótima. Eu me embonequei toda, estava lá, e todo mundo no teatro sabia que ia ganhar e eu falava “Tenho certeza que não vou ganhar”. Ainda comentei com o Marco: “Tô aqui porque…”. Aí começou a chamar os indicados, os ganhadores. Aí chama a melhor sambista: Alcione! Já dancei! Peguei a máquina e falei pro Marco: “Qualquer coisa aí você tira a foto, né?!” Dali a pouco a revelação do ano: “Nossa candidata para revelação: Dona Inah!” Aí o Marco chegou e falou: “Inah, tão chamando você!”. “Mas chamando onde?” “Lá em cima! Vá lá que você ganhou”. Levantei e falei: “Tira foto!”. E fui receber o prêmio… Depois, quando voltei, falei: “Você tirou a foto?”. “Que foto?” Ele ficou olhando e não tirou uma foto. Depois eu recebi o DVD em casa. Mas a gente ficou tão assim, tenso… Peguei aquele troféu que eu não sabia se eu ria, se eu chorava, ou se eu o jogava fora. “O que eu vou fazer com isso aqui?” Mas foi muito bom, muito gostoso. E agora ganhei o prêmio paulista.
Gafieiras – Qual, o APCA?
Marco – Não, ela ganhou o prêmio de melhor intérprete no Festival de Samba Paulista.
Dona Inah – Eu ganhei como melhor intérprete do samba paulista e o samba que eu defendi foi o vencedor também. O samba é de um compositor de Araraquara; ele mandou e eu fui defender (no festival). O samba ganhou e eu saí como “melhor intérprete” e com um troféu.
Gafieiras – Quem é o sambista de Araraquara?
Dona Inah – O Teroca.
Gafieiras – A senhora recebe muita música pra gravar?
Dona Inah – Olha, eu tenho muita música em casa…
Gafieiras – Mas de compositor que a senhora não conheça?
Dona Inah – De compositor que eu não conheço. Música inédita e muita música.
Marco – De amigos e do pessoal que toca?
Dona Inah – Eu tenho que ficar ouvindo. Às vezes não dá nem pra ouvir. Tem músicas de compositores também do Rio. Compositores famosos também. Fazer seleção é dureza, às vezes, a gente não quer desagradar um, mas é muita coisa.
Marco – Tem um projeto de um outro disco que ela está fazendo: são músicas de vários sambistas, como as inéditas do Décio Carvalho, do Candeia, do Monarco, e de compositores daqui também.
Dona Inah – Eu vou fazer, praticamente no começo desse ano, até o ano que vem, dois discos.
Gafieiras – Um deles sai esse ano ainda?
Marco – Se tudo correr bem, até o fim do ano deve estar aí.

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