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Entrevistas de música brasileira

Dominguinhos

Dominguinhos por Jefferson Dias/Gafieiras

Dominguinhos

parte 1/17

Roberto Carlos fazia show no Asa Branca

Ricardo Tacioli – Dominguinhos, amanhã tem entrevista com o pessoal do Recife que vem pra cá?
Dominguinhos – É, tem. Eles vão lá em casa. É uma besteirinha… falar sobre o Gonzaga.
Tacioli – Onde é a sua casa, Dominguinhos?
Dominguinhos – Fica ali na Guilherme Dumont Villares, que é perto da Giovanni Gronchi, do Shopping Jardim Sul. Parece que eles vêm de Pernambuco. Fizeram ontem com Waldonys, lá em Fortaleza.
Tacioli – Tão cruzando o Brasil pra falar com você…
Dominguinhos – É o centenário do Gonzaga. Muito legal.
Tacioli – Dominguinhos, você tem escritório com o João Cícero.
Dominguinhos – Lá no Paraíso. Fica na Correia Dias. É facilzinho de chegar lá.
Tacioli – E há quanto tempo você está em São Paulo?
Dominguinhos – Cheguei no Rio em 54 e me mudei pra São Paulo em 79. Tenho família no Rio.
Tacioli – De 54 a 79 no Rio de Janeiro?
Dominguinhos – Foi, mas desde que eu cheguei no Rio sempre vim tocar em São Paulo. Formamos um trio nordestino e esse trio vinha a São Paulo. A TV Tupi era conjugada, sabe? Era rádio e televisão. Aliás, toquei essa semana em Curitiba num especial da tevê do Paraná. E eles estão fazendo isso, um auditório, com uma rádio e televisão ligadas, fazendo os eventos. Eu fiz um especial pra eles com uns músicos de lá e foi muito bonito.
Tacioli – E qual é a sua relação com esse palco do Canto da Ema? [local da entrevista]
Dominguinhos – Ah, é bem extensa, viu, porque faz um bocado de tempo que eu toco aqui também. Dificilmente eu não tô tocando aqui. Ele [n.e. Paulinho Rosa, um dos donos do Canto da Ema] inventa sempre umas coisas aí e eu venho. A última vez que eu vim foi dia 11 de setembro, que era aniversário dele. Dia 11 de setembro. [risos]
Tacioli – Hoje eu peguei um táxi pra vir pra cá e falei que ia conversar contigo. O taxista te elogiou. Falei do Canto da Ema e ele…: “Ah, sou da época do Asa Branca”. E começou a contar um pouco das histórias das casas de forró de São Paulo.
Dominguinhos – O Asa Branca tinha uma casa onde é o Sesc, na Paes Leme, né?
Max Eluard – Isso, o Sesc Pinheiros.
Dominguinhos – Pronto, ali era o Asa Branca; um deles era o de Zé Lagoa. E eu toquei muito lá. O Roberto Carlos fazia (show lá também). Ele levava todo mundo. Era horrível pra você chegar no palco, porque tinha um vão em cima, de tábua, e a gente ia até chegar lá. Imagina Roberto Carlos com aquele problema que ele tem na perna! Um lugar que tem que passar abaixado, pra depois descer por uma escadinha do tamanho de nada, pra sair num palquinho do tamanho desse aqui. E Roberto cantava sempre lá. É, engraçado. E ele ia.
Manu Maltez – Mas o Asa Branca era um lugar mais de música nordestina?
Dominguinhos – Só era, mas ele levava (o Roberto Carlos).
Manu Maltez – E ele cantava…
Dominguinhos – Cantava as músicas dele. O Chiquinho Queiroz, que é pai de um excelente sertanejo, o Juscelino, era o locutor oficial de lá. E o baile era de Zé Lagoa, que era um alagoano que depois abriu outra (casa) lá na avenida Santo Amaro, outro Asa Branca. Depois fechou também, aí ele abriu o Patativa, agora também terminou. E tá tentando botar um restaurante agora não-sei-onde. Mas é aqui em São Paulo. E tem essas dificuldades todas: o Patativa era muito grande, só levava muito público as bandas, sabe, como o Calcinha Preta, esse povo assim, que levava muita gente, um negócio de dez, doze mil pessoas. Ele se deu bem muito tempo. E sempre teve uma casa de apoio que ele nunca vendeu, que é de tira-gosto, de coisa do Norte, de uns tira-gostos, cachaças, essas coisas todas. Isso aí ele disse que ele nunca venderia, porque foi quem o sustentou a vida toda. Mesmo ele tendo tido muito lucro. Porque músico, você sabe, músico não ganha nada. O dono não está aqui e a gente pode falar. [risos] Bota dois trios. Eles não podem tocar em lugar nenhum mais. Se ele der duas entradas, acabou a noite. Aqui já começa tarde. E depois de meia-noite vai pra onde?
Manu Maltez – Ele falou agora de um taxista e eu tenho uma história de taxista engraçada, inclusive de um que peguei nessa região, Largo da Batata, que sempre foi uma região que abrigou essas casas de forró, como o Projeto Equilíbrio, o KVA…
Dominguinhos – É, do professor Wagner…
Manu Maltez – Agora sobraram somente o Canto e o Remelexo.
Dominguinhos – É, e o Remelexo, bem pertinho um do outro. E eram sócios também.
Manu Maltez – E faz um ano quando peguei um táxi de madrugada e o motorista estava ouvindo Dominguinhos. Daí falei: “Pô, que coisa boa, música boa, né?!” E ele: “É muito bom!”. E só tocava forró bom… “Escuta: você gosta de música assim?”. “Eu toco no Trio Sabiá!”.
Dominguinhos – É um dos (grupos) que em toda semana tem um dia deles aqui.
Manu Maltez – Mas ele estava fazendo táxi à noite, num horário de tocar! Falei: “Pô, o negócio não tá muito bom, né?”.
Dominguinhos – Isso acontece muito, o cara tem que se virar…

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