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Entrevistas de música brasileira

Dominguinhos

Dominguinhos por Jefferson Dias/Gafieiras

Dominguinhos

parte 13/17

De gravar eu não gosto!

Tacioli – Você falou da boemia. A boemia também já te fisgou?
Dominguinhos – Não.
Tacioli – Nunca, nunca?
Dominguinhos – Não, eu era um profissional da música. Tocava das dez (da noite) às quatro da manhã e ia embora para casa.
Manu Maltez – Ia dormir, não ficava.
Dominguinhos – Humn?!
Manu Maltez – Acabava o show, você embora.
Dominguinhos – Só ia para as boates dar canja, para amanhecer o dia dando canja, para aparecer o primeiro trem, o primeiro ônibus para Nilópolis… [risos] Era só isso mesmo!
Manu Maltez – Dominguinhos, quando a gente conversou como Heraldo do Monte, perguntei como você estava e ele falou que às vezes podia não estar se sentindo muito bem, mas quando subia no palco, era como se estivesse bem. O fato de continuar se apresentando, tocando, te ajuda muito nessa (luta)?
Dominguinhos – Ajuda. Eu toco com ele de vez em quando. Isso tem muito valor, né? A gente toca há muitos anos juntos. Então, esse lado é muito importante.
Manu Maltez – Você gosta mais de gravar ou de se apresentar?
Dominguinhos – De gravar eu não gosto, não! Eu gosto mais de fazer apresentação.
Manu Maltez – Pra você é “tem que gravar, então vou gravar”?
Dominguinhos – É.
Manu Maltez – Se não precisasse gravar…?
Dominguinhos – Não, não. Eu não queria, não.
Manu Maltez – É?
Dominguinhos – Estúdio é uma coisa muito…
Manu Maltez – Muito fria…?
Dominguinhos – Muito fria, mas se precisar, eu vou lá.
Manu Maltez – Se você pudesse gravar tudo ao vivo, você gravaria ao vivo? É melhor que (somente no estúdio)?
Dominguinhos – Não, não presta, não, gravar ao vivo. Eu fiz somente dois discos ao vivo. Um foi por causa de direito autoral. Ninguém pode pagar! Eu fiz lá na FATEC. Está mixado, tudo direitinho, mas a gente não consegue liberar as músicas. As editoras criam muita dificuldade, cobram muito caro. Então esse disco pra eu lançar, tenho que pagar uns 40 mil somente de direitos, entendeu? Aí tá lá. Aí fiz outro ao vivo, um disco mesmo, CD, com a produção do Newton d’Ávila, que era da Velas. Veja bem: acabou a gravação e pensei que ia ficar tudo do mesmo jeito que estava, porque se você faz uma gravação ao vivo tem que ter um apitozinho, microfonia… Mas fui para o estúdio fazer de novo, ôxe! Eu não quero mais saber disso, não!
Manu Maltez – Então teve que voltar para o estúdio para refazê-lo?
Dominguinhos – É, alguma coisa não estava bom. Os músicos, o Heraldo (do Monte) e outros mais foram lá botar tudo direitinho…
Manu Maltez – Ficou muito maquiado?
Dominguinhos – Foi… Eu digo: “Quero mais, não!”

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