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Entrevistas de música brasileira

Dominguinhos

Dominguinhos por Jefferson Dias/Gafieiras

Dominguinhos

parte 10/17

O meu caminho é o dom

Pavan – E, Dominguinhos, de onde vem a inspiração?
Dominguinhos – É uma coisa momentânea, é um momento bom em que você está ali. Pode ter muita gente perto, (você) vai tocando, vão surgindo as coisinhas, você não se incomoda com quem está em volta, sabe?
Tacioli – Mas precisa do instrumento, Dominguinhos?
Dominguinhos – Precisa do instrumento [ri] e precisa também da inspiração. Mas o instrumento fica no sofá e eu tenho sempre um gravadorzinho. Até hoje eu faço a música em cassete, porque eu não sei mexer com computador. Por exemplo: o Gil botou uma letra em um xote agora, “Um riacho, um caminho”, (que está) no DVD novo dele e no disco… [n.e. Fé na festa  Ao vivo, 2010]
Manu Maltez – Foi rápido?
Dominguinhos – Foi porque ele queria gravar. Aí eu mandei umas três músicas e ele botou letra nessa e me chamou para participar do DVD com ele. Mas eu fui no estúdio que o Beto Mendonça tem aqui em Pinheiros – um estúdio muito bom, em que eu gravo – e pedi para ele passar minha fitinha para um cedezinho para eu mandar pro Gil, pra não ficar muito feio, né? Os caras não têm mais onde escutar… [risos]
Pavan – E você acredita em dom, Dominguinhos?
Dominguinhos – Acredito. Acredito porque o meu caminho é o dom mesmo. Eu não sei nada, sei tocar e pronto.
Manu Maltez – O nome de sua filha Liv é em homenagem a Liv Ullmann mesmo? [n.e. Atriz e diretora de cinema nascida na Noruega em 1938. Foi casada com o diretor Ingmar Bergman, que a dirigiu em seu primeiro filme, Quando duas mulheres pecam, de 1966]
Dominguinhos – É.
Manu Maltez – Você gosta muito de cinema?
Dominguinhos – Gostei muito, rapaz! Acabaram com as salas, né? Eu vivia dentro de cinema, gostava demais!
Manu Maltez – De quais diretores que você gostava?
Dominguinhos – Eu cheguei até a trabalhar com o Cacá Diegues e com a família do Luiz Carlos Barreto. Fiz muita música pra ele! Apareci em filme do filho dele, esse que está doentinho.
Manu Maltez – E de quais diretores você gosta?
Dominguinhos – (…) Tem também O cangaceiro, o último cangaceiro que foi feito… [n.e. Refilmagem do clássico de mesmo nome de 1953, dirigido originalmente por Lima Barreto. Na nova versão, de 1997, Aníbal Massaini Neto assina a direção. Dominguinhos vive o personagem Zé Domingues]
Manu Maltez – Você participou do filme?
Dominguinhos – Participei. Passei 15 ou 20 dias gravando lá no interior de Pernambuco. Paulo Gorgulho, Luíza Thomé… Eu toquei e cantei várias músicas de Zé do Norte no filme. Tinha um balé que a poeira cobria tudo… Muito lindo, rapaz! Participei de vários filmes, até um em preto e branco com Gonzaga, dançando um xaxado.
Manu Maltez – Você vê ainda bastante filme?
Dominguinhos – Agora vejo em casa, porque está ruim, estão fechando os cinemas todos.
Max Eluard – Só tem cinema em shopping, né?
Dominguinhos – Não é, rapaz, é uma coisa…
Tacioli – Mas o que você gosta de assistir? Policial, drama…
Dominguinhos – Não, uma coisa mais assim de você não saber se vai dar certo, assim… [risos]
Max Eluard – Suspense.
Dominguinhos – Suspense é bom demais!
Tacioli – Mas sempre dá certo?
Dominguinhos – Sempre dá certo. [risos]
Manu Maltez – Você falou de cangaceiro. Você chegou a conhecer algum grande cangaceiro?
Dominguinhos – Não, não, conheci, não, quero dizer, cheguei a conhecer uns da família do Lampião, que ainda tem gente viva. Da família dele eu cheguei a conhecer.
Manu Maltez – A Dadá morreu faz pouco tempo.
Dominguinhos – Pouco tempo, mas cheguei a conhecer. O Gonzaga então que deve ter conhecido mesmo…
Manu Maltez – O Gonzaga tinha alguma história? Ele contou alguma coisa?
Dominguinhos – Tinha, ele contou muita coisa, de que ele gostava mesmo de Lampião, desse pessoal…
Manu Maltez – Tem um livro que saiu sobre o cangaço que fala que eles mesmos costuravam, faziam os bordados todos.
Dominguinhos – É, faziam tudo, porque também não podiam mandar pra ninguém, porque iam matá-los e tal. Eles mesmos aprendiam tudo.
Manu Maltez – E eram musicais também, né? Eles gostavam muito de música.
Dominguinhos – É, nossa, dançavam o xaxado, o Gonzaga aprendeu…

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