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Entrevistas de música brasileira

Dominguinhos

Dominguinhos por Jefferson Dias/Gafieiras

Dominguinhos

parte 0/17

No salão vazio

No fim dos anos 1950, quando dava os primeiros passos na carreira profissional, o pernambucano José Domingos de Moraes era conhecido apenas pelo apelido de infância, pela habilidade com a sanfona e pela pontaria nos gramados. Ponta-direita, Neném era um exímio cobrador de faltas.

Naquela época, no Rio de Janeiro, onde se radicou por mais 20 anos depois de sair da sua Garanhuns, tocava de tudo e em todos os lugares. Era baião, xote, bolero e tango; bossa nova, ritmos jovens, música americana, choro e samba. Aumentava a renda como músico acompanhante com suas atuações em rádios e em estúdios de gravação. Ao colocar na praça seu primeiro long-play – Fim de festa (1964) –, revelou seu novo e definitivo nome artístico. Melodista privilegiado, conquistou uma porção de parceiros e de sucessos em seus mais de 50 anos de estrada.

A última vez que subiu no palco foi em dezembro de 2012. Foi em Exu, Pernambuco, durante as festas do centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, seu padrinho musical. Um dos nomes mais importantes da sanfona brasileira lutava havia seis anos contra um câncer no pulmão. Depois de ter sido internado em Recife naquele mesmo dezembro, morreu no dia 23 de julho de 2013. Tinha 72 anos de idade.

Esta entrevista foi realizada em São Paulo quase dois anos antes, em outubro de 2011, em um de seus lugares preferidos, a casa de forró Canto da Ema. Naquela quinta-feira ensolarada, Dominguinhos foi só, e nas duas horas que se seguiram, falou de futebol, do medo tardio de avião e do seu jeito de compor. Falou também do prazer de dirigir, de Johnny Alf, Garrincha e Zé Ramalho, e da solidão. O cansaço e os olhos distantes se confundiam com a timidez e com as frases curtas, mas as gargalhadas de fim repentino tinham efeito tranquilizador. A entrevista apenas confirmou o que todo mundo sabia: que era um camarada sem frescura e que jogava ainda à moda antiga, pela paixão à camisa.

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