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Entrevistas de música brasileira

DJ Patife

DJ Patife. Foto: divulgação

DJ Patife

parte 7/23

Vai vender o quê? Dez cópias? Quem me conhece?”

Gafieiras  Essa relação dos gringos com vocês é diferente?
Patife  Foi um choque. Por quê? Sei que em um mês em Londres, foi como um vírus. Foi muito doido!
Gafieiras  As bases que vocês tocavam eram deles?
Patife  É, a gente tocava o som que comprávamos lá na Galeria. E nisso, o Marky tomou um rumo. Eu, não, tava ali no sampler. O meu prazer era estar envolvido. Um dos feras prediletos era Metalheadz, do Goldie, meu! Os caras me deram um beijo no rosto, me abraçaram. Eu entrava nas festas de graça! Aquilo ali pra mim, ó… Eu não pensava que iria tocar em Londres. Achei legal a conexão e ver o Marky ali. Passamos uns putas altos e baixos. Ele foi o mais discriminado, porque foi o único que teve mídia. Até 99 foi assim. Então, quando a Toco fechou, os donos de casas noturnas colocaram a culpa no jungle. Foi o jungle que faliu a Toco. Ele [n.e. O dono da Toco] carrega essa dor de ter fechado uma casa de 25 anos. Só que ele sabe que não é, mas ficou esse carimbo, né? Eu via tudo aquilo, fazendo aquela porra toda, e a galera passando mal, cara! Aí uns DJs se aliaram e outros começaram a fechar a porta. Foi uma dificuldade que ele [Patife] enfrentou até 2001, mais ou menos. Uns DJs não davam música exclusiva, outros davam e, cara, foi um sonho! Comecei a dar conta disso em 2000. Havia passagem que até ele pagava, havia passagem que a Trama me dava, e aí foi uma coisa. Certo dia, na metade de 2000, o Marky falou, “Ó, meu, agora o Ângelo [n.e. Ângelo Leuzzi, proprietário da Lov.e] decidiu mudar. Na noite de quinta somente drum’n’bass. Vou criar um nome. Venha ser residente comigo! Você toca uns jazzinhos no início.” Aí, cara, foi assim… Um jornalista ou outro falou, “O Lov.e é legal! Tem um DJ que toca umas coisinhas mais melódicas.” Beleza. Um dia o João tava lá e falou, “Meu, por que a gente não faz um cdzinho seu somente com esse tipo de drum’n’bass que você toca, que é diferente do Marky?”. “Meu, mas vai vender o quê? Dez cópias? Quem me conhece?” “Meu, não estamos preocupados. Vamos fazer o trabalho!” Entrei na Trama. Assinamos contrato e lancei o CD. Quando lancei o disco, cara, jornal daqui, revista dali e site acolá começaram a falar de meu nome. O Marky partiu pra residente ser da Lov.e. Ficou esse negócio: eu ainda mais pro lado melódico, que era a coisa que eu gostava muito e que começou a dar certo, porque até então nunca havia dado certo. Parei de tocar nas festas… E começou a rolar. Aí, inventaram o show do Chemical Brothers e me colocaram pra abrir. Foi lindo! Depois que lancei CD, conheci o Max de Castro. “Faz um remix do meu trabalho?” Eu tinha contato com o Xerxes, com o Mad [n.e. DJ Mad Zoo] Fui lá, sentei com os caras. Eu não sabia. “Meu, fala uma batida que você gosta, um andamento e um tipo de timbre”. Aí, “Esse com esse, aí você faz tipo [imita os sons sugeridos]. Os caras construíam e eu falava o que queria. “É isso, ser produtor é isso!” Falei, “Não, ser produtor é sentar e mexer.” E até hoje essa é a maior briga. Hoje, não! Há um ano e meio tenho meu equipamento. Com os cursos que venho fazendo, tô aprendendo mais. Já levo meio mastigado pra eles. Então me sinto melhor, que é mó ruim você levar o nome de uma coisa que você não fez, sabe? Isso me incomoda muito.
Gafieiras  E em seu segundo disco, você…
Patife  Aí, muita coisa mudou. Em um ano muita coisa mudou.
Gafieiras  E foi rápido, não?
Patife  É, foi muito rápido.

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