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Entrevistas de música brasileira

DJ Patife

DJ Patife. Foto: divulgação

DJ Patife

parte 6/23

Tudo mudou na hora em que botei aquela fitinha

Gafieiras  Você pensava “E se não der certo?”?
Patife  Voltando nessa história. Peguei e fui estudar essa porra toda de novo. Sentei lá com o Copine, que financiou a passagem, e liguei pro Adrian. “Tô com a passagem na mão. Tô indo no vôo de segunda-feira a tal hora”. “Cê tá louco?!” “Eu tô indo!”. Cheguei na imigração e não falava um “a”. O cara pegou e chamou um brasileiro, “Ajuda ele aí que ele precisa vir”. Olha a minha cabeça, cara! “Que você veio fazer?”, o cara me perguntou. “Vim fechar um negócio com uma organização que vou representar no Brasil. A gente vai fazer esse business aí”. Aí, o cara traduziu pro senhor da imigração e ele veio, “Cê vem fazer negócio aqui?” “Sim.” Me pediu a autorização. “Tá aqui o nome da pessoa, o telefone.” E a cara do velho indignado. Eu não entendi porque ele estava tão surpreso. Hoje, vejo que a gente não pode trabalhar lá, fazer nenhum tipo de negócio. Você é deportado na hora! Depois eu mesmo falei, “Cara, cheguei na imigração falando que vim tratar de negócio! Cadê a planilha? Cadê a…” É, meu, foi assim. Carimbou meu passaporte, tipo “Esse moleque não sabe o que está fazendo”. Carimbou porque ele sentiu logo. Aí, fui… Resumi bem rapidinho pra chegar aí. O Adrian me recebeu, “Cê é louco, cê é louco!” E eu com nada pra ficar sete dias. Conheci os caras, meu. Eles são um iceberg! Muito estranho. Foi uma recepção assim. Nesse momento falei, “Fodeu! O que vim fazer aqui? ” Mas tudo mudou na hora em que botei aquela fitinha. Uma fita com o Marky tocando e a galera batendo palmas. “Fodeu! Fodeu!”, eu falava baixinho pra mim, né? “Fodeu! Fodeu! Vamos lá conhecer o homem que manda na porra toda.” Aí, chegamos no escritório do David, que estava com uma tora desse tamanho na boca, falando aquele inglês jamaicano. “Bote a fita pro peão assistir!” “Brazil, Brazil! Brazil!” Cara, sei que mudou. Aí vieram o CD do Marky e as entrevistas. Já cheguei lá falando de todo mundo, menos de mim. “Não, meu, cês têm talento!”, e nem havia visto a gente tocar. “Cês têm talento. Acho que vocês vão inovar a cena aqui na Inglaterra! Façam uma festa no Brasil que a gente vai lá ver”. Aí voltei pro Brasil. Olhem como as coisas são loucas! Cheguei aqui e, uma semana depois, cruzei com o Bruno. Ele, “Cara, cê tem noção do que tem na mão? “Ah, meu, não sei, mas tenho o contato. Acho que os cara podem vir pra cá e, de repente, podemos ir lá tocar!”
Gafieiras  E o Bruno…
Patife  Foi quando ele falou, “Cara, o João Marcello Bôscoli, que é o filho da Elis Regina, tá abrindo um selo dentro da VR que se chama Trama, e ele me convidou pra criar um selo de música eletrônica. Não quer entrar?” Oxi! Duro, fudido, sem lugar pra tocar, quase nem mais na Arena. Saí da Arena em julho e acabou. Começamos a fazer a Movement na rua Augusta, Galeria 2203. “Vamos fazer uma festa Movement. Antes da festa, encontrei com o Bruno. “Meu, isso é muito sério, cara! Vou te levar pra falar com o João [Marcello Bôscoli]”. Fomos à Trama. Havia seis pessoas trabalhando. Conheci o João. Deu o maior frio na barriga. Pior, porque falei que 99 foi um ano muito turbulento pra minha cabeça. Aconteceu muita coisa num espaço curto de tempo. Aí, vou lá falar com o filho da Elis Regina, o cara que está montando um selo. “Vamos ligar pra esses caras agora. A gente vai te dar um suporte nisso aí, meu!”, ele disse. Beleza. Ligaram e falaram, “A gente é um selo que pode proporcionar algo.” Beleza! Aí o Adrian veio em setembro. Fizemos a festinha na Augusta. Setecentos negos cantando e gritando. O gringo chorou, chorou lágrimas. “Como as pessoas aqui são quentes. Não tem droga, não tem aquilo, isso, …!” Enfim, sei que ele ficou doido e voltou pra lá maluco. Na mesma época, o que aconteceu? Tava abrindo, em junho, a Lov.e. “Aqui toca drum’n’bass. Aí, o Marky foi tocar na Lov.e. Mas era assim: tinha que começar tocando house e finalizava com o drum’n’bass. A coisa foi indo, foi indo, indo. Hora de trazer o Bryan Gee pra cá. Novembro. Logo que ele viu neguinho tocar, nos levou pra lá [n.e. Inglaterra] em dezembro de 98. E começamos a ir pra lá e todo mundo nos acompanhou de lá pra cá.

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Música eletrônica
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