gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

DJ Patife

DJ Patife. Foto: divulgação

DJ Patife

parte 23/23

DJ de viajar o mundo? Nunca me passou pela cabeça

Gafieiras  E aí, qual é a mensagem? Perseverança?
Patife  A mensagem é a minha fé, cara! Perseverança, né, meu? É assim, você realmente tem que estar sentindo que é aquilo que você quer, não adianta dizer “Vou fazer uma faculdade de moda, porque é legal. Mas gosto de medicina também, né?” Você tem que se identificar com o negócio, meu! É falar assim, “Gosto de música e vou mexer com música. Isso aqui vai me custar.” Eu tinha que levantar quinze pras seis da manhã todo dia. Não dava pra viver da música, mas era aquilo que eu queria. Eu gosto de música, sabia que era uma coisa que eu gostava. Agora eu estava conversando com meu irmãozinho que tem 14 anos, “Que você quer ser?” “Quero ser polícia”. Falei, “Polícia, meu?” “Não tem outra coisa, não, quero ser polícia!” “Mas por quê?” “Ah, meu, pra botar os bandidos na cadeia”. Vai ser complicado se ele continuar com isso na cabeça, [risos] mas se é o que ele acha que vai ser… O que eu tinha na cabeça era, “Quero ser DJ, mas um DJ maneiro, de trabalhar em casa noturna no final de semana. Não um DJ com nome, um DJ de viajar o mundo… Isso nunca me passou pela cabeça, jamais. “Ah, mas DJ é difícil, meu, é panela, casa noturna… Acho que vou ser motorista.” Aí, como eu trabalhava de office-boy em uma firma, eu dirigia os carros. Achava que ia me aposentar ali como motorista. “Serei motorista pro resto da vida. Quem sabe dirigindo os “Expresso Brasileiro” da vida aí?” É assim, meu, perseverança, se identificar com aquilo que você quer, e aquilo que você escolher, você tem que se dedicar 110%, mas se dedicar mesmo. Ir a fundo, não deixar as barreiras, porque nada na vida é fácil, cara! Mesmo para quem é rico, para quem o pai dá tudo. O cara toma outros rumos, porque não lutou, porque não foi atrás. Tenho amigo de outra classe social que tinha tudo. Enquanto eu ganhava Atari, ele ganhava Mega-Drive. Veja se o cara jogava um mês… Eu, não, cara, enquanto não passava por todos os estágios de cada cartucho, eu não ficava feliz. Era assim. E, meu, respeitar os mais velhos que já sabem o que tá há anos na história. Pesquisar, se dedicar. No caso do DJ, o que faço é trazer para o público aquilo que ele quer, procurar satisfazer o gosto do público ao máximo, mas não ser um juke box, “Ô, toca Mariah Carey? Toca a ‘Dança da Jade’…” Respeitar, cara. Não sei, sempre fui uma pessoa pacata, calma… Cê olha pra mim torto, eu já tô quieto, não retruco, nunca escuto, não recruto, a não ser se eu estiver certo. Se eu falar procê que esse copo é transparente e você falar que esse copo é branco, aí nós vamos… É assim, tem muita coisa que eu renego muito, sabe? Muito.

Tags
DJ Patife
Música eletrônica
de 23