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Entrevistas de música brasileira

DJ Patife

DJ Patife. Foto: divulgação

DJ Patife

parte 1/23

Demônios e Paulinho era o que eu tocava em festa de casamento

Gafieiras  O que é um DJ? Sensibilidade, ouvido e técnica?
Patife  Pra mim, DJ é um cara que anima uma festa, que coloca as pessoas pra dançar… Básico assim, esse o típico DJ. O que precisa para ser um bom DJ? Botar uma pista abaixo! E claro que 99% das pessoas que se interessam em ser DJ é por causa da técnica. É muito legal você misturar duas músicas… Essa passagem de uma música pra outra a gente chama de virada. Então, todo DJ, quando quer ser DJ, vai aprender a virar. Ser DJ hoje é botar a pista pra dançar e ter esse feeling de colocar uma música certa na hora certa. Esse é o “X” da questão. Depois, é claro, a técnica você vai adquirindo. Mas aquele negócio de DJ querer tocar pra ele mesmo é complicado. Mas, graças a Deus, de três anos pra cá, eu toco 99% do que gosto. Isso é incrível! Achei que isso nunca poderia acontecer. Até 98 eu toquei de tudo quanto foi estilo. De tudo mesmo: podem gritar qualquer estilo que vou falar que já toquei. Foi bom, aprendi muita coisa sobre música, principalmente quando eu fazia casamentos e formaturas. Foi uma escola muito boa.
Gafieiras – O que você tocava em casamento?
Patife  Disco, funk. Valsa é de lei, né? Sambão, samba-enredo, samba dos Demônios da Garoa, Leci Brandão, Paulinho da Viola. Samba-rock, Ed Lincoln, Jorge Ben, Bebeto, Trio Mocotó. Aprendi muito quando era de equipe de som. Era sempre baile black na região onde eu morava, na Cidade Ademar. Havia DJ que tocava só os raps, havia DJ que tocava só flash back, tocava somente funk, que só tocava samba-rock. Eu escutava isso de tabela e passava o tempo. Fui aprendendo.
Gafieiras  E o que fez definir o seu estilo?
Patife  De iniciozinho, minha história com a música é mais ou menos: eu adorava gravar fita. Tinha uns 7, 8 anos na época em que minha mãe estava que separando de meu pai. Uma época em que eu ficava na casa da minha avó. Às vezes ficava também na casa da minha mãe. E era uma briga, porque eu adorava ficar sempre na casa da minha avó. E por quê? Tinha um sonzão que meu avô havia comprado na época. E eu não podia ver uma fita moscando que eu pegava e esperava os programas da Band FM, que na época eram demais. E se havia uma festinha, tava eu lá colocando as fitas… E o que eu gravava? Era a época de Houdene [n.e. Infamous Houdene] e Afrika Bambaataa [n.e. Nome artístico do rapper nova-iorquinho Kevin Donovan, nascido em 1960]. Devagarinho comecei a sacar New Order. Era 1988. Depeche Mode, Erasure e, mais pra frente, Bomb the Bass. Mas eu me identificava mais com os raps, época em que os caras ficavam dançando break na rua. Eu tentava fazer aquilo e não dava certo. Comecei com o rap. E nessa de começar com o rap foi quando me deparei com a galera da equipe de som, em que um dos DJs – o Carlinhos – estava montando um grupo de rap, o Fatos Reais. Aí ele me chamou para ser o DJ do grupo. Eu vim da parte black da história. E a dance music entrou assim em 91, 92, quando fui a um show do Public Enemy [n.e. Grupo de rap nova-iorquino surgido nos anos 1980]. Inclusive eu estava fazendo aniversário no dia, 15 de setembro, 14 anos. E a Nova FM Record estava por trás dessa história do Public Enemy. Comecei a escutar a rádio por causa disso. Ela tocava outras coisas quebradas bem legais. Era o início do break beat, eletro, misturando o acid house. Foi quando eu me deparei com o acid house e com um tal dehard core que foi para o jungle, drum’n’bass. Foi isso! Aí comecei a gostar de tudo, na verdade. Eu gostava muito do tecno trance, do tecno mais pesado, de house, de acid house, de streep rock. Coisas da época em que o Chemical Brothers se chamava Dust Brothers. Eles tiveram que mudar o nome porque o Dustin era o DJ dos Beastie Boys [n.e. Surgido em 1979 em Nova Iorque, foi o primeiro grupo importante de rap formado somente por brancos]. Eu gostava das coisas do Dustin Brothers. Foi uma mistura. E com isso, durante vários anos, fiz muito baile eclético e adquiri um pouquinho de cada coisa. Mas o que me chamou muita a atenção no drum’n’bass foi o fato dele conseguir botar vários elementos – o raga, o jazz, o atmosférico – dentro dele. Depois, de uns 4, 5 anos pra cá, a história da música brasileira… Então, o drum’n’bass me catou pelo coração. Isso foi em 93 pra 94.

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Música eletrônica
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