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Entrevistas de música brasileira

DJ Patife

DJ Patife. Foto: divulgação

DJ Patife

parte 14/23

Não vou poder ser DJ a vida inteira

Gafieiras  Já rolou algum convite pra trilha sonora?
Patife  Puta, nesse último ano pintou pelo menos uns três. Uma rapaziada de Porto Alegre, que está fazendo um curta pediu pra que eu fizesse uma história. Tem um povo daqui de São Paulo que também começou a fazer um filme, “Puta, meu, dá uma assistida com a gente pra ver o que cê pode fazer.” Mas aí não deu por causa dessa coisa toda, né? Vou ter que botar a cabeça no lugar. Vou ter que decidir algumas coisas agora, porque venho pensando muito no futuro, no seguinte sentido: não vou poder ser DJ a vida inteira. Eu gostaria, mas tem certas coisas que estão pesando. Por exemplo: minha saúde. Infelizmente nunca tive saúde boa. Até meus 18, 19 anos fiquei em hospital fazendo inalação. Bronquite. Era uma tristeza! E agora, de uns tempos pra cá, começou uns negócios nas costas, onde dá hérnia-de-disco, manja? Tô com um problema no nervo ciático muito forte. Até entrei na academia pra fazer exercícios, alongamento, etc. Não vou segurar durante muito tempo a barra na noitada. Não vou parar amanhã ou ano que vem, mas se eu viver mais cinco anos do jeito que tô vivendo, fodeu. E outra: tenho um projeto de vida. Deus iluminar e mandar a mulher da vida, casar, e mais pra frente, ter filhos. Então, se você quiser ter uma família, noitada não dá certo. Botei esse negócio na minha cabeça de que quero ter um estúdio e ser um produtor mesmo, produzir banda, produzir… Tenho essa visão. Isso é certeza do que quero fazer. E, pô, vendo o renascimento do cinema brasileiro… Por exemplo: a gente vê Cidade de Deus. Não foi tão produzido, porque você vê que tem o Cassiano e o Wilson Simonal. Somente coisa pronta. É legal você fazer o… Agora está no momento de surround. Não há somente duas caixas na frente. É uma, duas, seis. Estão falando agora de 7.1, tá ligado? O subgrave meu, 1, 2, 3, 4, subgrave 5, 6, 7 na frente. Puta, imagina você controlar todos os HD. Ave Maria! Aí, seis meses envolvido com uma parada dessas, sem pensar em nada, somente se dedicando. Isso é uma coisa que chama muita atenção.
Gafieiras  Você tem noção de onde quer chegar com seu trabalho?
Patife – Não tenho, não, cara. Quero estar envolvido com a música, botar música numa trilha de filme, como eu estava falando agora, botar música pro povo dançar. O que posso garantir procês é o seguinte: quero ter o meu estúdio, ser um produtor musical mesmo, sabe? “Você tem uma voz da hora. O que você gosta? Bossa nova, r&b, jazz? Vá um dia lá pro estúdio fazer uma experiência?” Aí tentar encaixar o gosto dela ao meu e fazer um CD. Principalmente para quem não tem oportunidade. Isso é uma coisa que eu quero muito, porque foi difícil pra eu ter oportunidade, tá ligado?

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Música eletrônica
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