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Entrevistas de música brasileira

DJ Patife

DJ Patife. Foto: divulgação

DJ Patife

parte 13/23

"Vamos fazer uma coisa juntos", disse o Paulo Moura

Gafieiras  Mesmo que você escute mais de perto os ritmos, querendo conhecer outras coisas, até hoje você não vasculhou a discoteca de seus pais, Lindomar Castilho, sertanejo. Ainda existe esse preconceito?
Patife  Na verdade, não há mais preconceito, somente não me identifico com as paradas que meu pai ouvia, nem sei se ele tem mais, cara. Até porque também tem dois meses que ele foi morar com papai do céu, então nem sei onde foram parar, mas nunca gostei.
Gafieiras  Mas o que você tem ouvido de música brasileira?
Patife  De música brasileira… Outro dia peguei uma coleção de bossa nova, umas coisas bem baratinhas que relançaram. Tem Vinicius com Toquinho, se não me engano, Elis com Tom, que mais? Ah, compro umas coisas lá fora, History of Bossa Nova, Marcos Valle, Sérgio Mendes, umas coisas muito boas que tem lá fora que aqui você nunca imagina encontrar. E é uma coisa muito estranha, como a gente não conhece bossa nova aqui e lá fora é top de linha. Não toca nem no rádio direito, cara!
Gafieiras  É o que você falou: não tem discos lançados…
Patife  Não tem discos, cara! É muito estranho… E lá fora tem muito coisa.
Gafieiras  E quem tem controle sobre a maioria da bossa nova são os gringos, né, cara!
Patife  Os direitos autorais, essa coisa. O Japão é a maior… A gente tava no Japão e havia disco de R$300,00, cara! Na banca assim, ó, de brasileiro, disco da Philips, disco daqui, que foi prensado no Rio vendendo lá por 300 paus.
Gafieiras  Você estava falando do jazz, de sua admiração pelo sax, mas você ouve a música instrumental brasileira, como o choro?
Patife  Não, cara, tô começando a ir para isso agora, agora que eu vou aprender a escutar a música brasileira.
Gafieiras  Paulo Moura, Pixinguinha, essa turma.
Patife  Exatamente. Com o Paulo Moura tive um baita contato. “Ô, beleza, vamos fazer uma coisa juntos. Vou mostrar um pouco das minhas coisas”. Mas cada um foi pra um canto. Agora tô fazendo a lista de quem eu quero que vá tocar, que vá cantar. Tem dia que vou pro Rio, sentar com Jair, com Max Viana, “Cara, como você cantaria isso?” “Sinto uma coisa assim, assim, etc.” Esse disco meu vai ser bem uma coisa bem “história da minha vida”, tudo o que aconteceu, e coisa que eu sinto, coisa que eu espero. Enfim, mito amor. Sou um cara bem amoroso, mas não brega, tá ligado? Mas um negócio positivo, pra cima. É o principal, né? Sempre foi um pensamento da minha cabeça, desde a primeira compilação. Não quero fazer somente um CD em que um cara vai lembrar somente da balada. Quero fazer um CD!
Gafieiras  Para tirar o drum’n’bass da pista…
Patife  Isso foi uma coisa que pensei. Se tem uma coisa que eu posso tirar… Você se sente músico? Não! Você se sente artista? Não! Eu quis que as pessoas vissem o drum’n’bass com outro olhar. Para poder escutá-lo dentro do carro. Pô, que prazer maior do que receber e-mail de gente de 40 anos falando que escuta o disco quando está trabalhando. Ou de pessoa que está estudando e escutando o CD. Eu estava no avião com o Jota Quest esses dias. “Cara, às vezes, tô no hotel, não-sei-o-quê, e boto o seu CD lá, véio! É mó legal, dá inspiração!”

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