gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

DJ Patife

DJ Patife. Foto: divulgação

DJ Patife

parte 9/23

A música eletrônica sempre foi instrumental

Gafieiras  Mas o que causava o choque? A letra em português?
Patife  Primeiro de tudo: a letra em português, falando de samba. Sempre tivemos um preconceito da música eletrônica feita aqui mesmo. Pô, o Xerxes produz desde 94. Começamos a tocar jungle em 93, 94. Nunca tocamos a música do Xerxes. Quero dizer, tocávamos, tentávamos tocar. Achávamos que quem sabia fazer isso era gringo. A gente não sabia fazer música eletrônica. Então, partia daquilo. A gente tem aquela coisa, “Não, tem que soar igual ao dos gringos.” Hoje, tenho uma concepção. “Tem que soar o meu som, o meu ouvido, a minha equalização, a minha masterização, a minha compressão.” Pegávamos a referência e queríamos que ficasse igual. Então, havia essa coisa. “Ah, meu, o som que os caras gravam não é igual. Era isso que fazia a gente ter o preconceito. A maioria dos DJs não queriam tocar por isso porque falava de samba, porque viam que era produção nacional. Havia aquele negócio, “Nossa, a música eletrônica!” Mesmo o Ramilson fazendo a Lady Zu há dez anos, ou o Mau que fazia há muitos anos, o Renato Lopes também…
Gafieiras  O que pegou também foi essa coisa da canção, do local, não?
Patife  Local. Felizmente por um lado, e infelizmente por outro. O Brasil não tem cultura de música instrumental. Na verdade, a música eletrônica sempre foi instrumental.
Gafieiras  Mas é um país que canta.
Patife  Mas é um país que canta. Fernanda Porto foi a luz da minha vida, cara, literalmente. Ela diz que não, que sou o cara do mercado, que não-sei-o-quê. Pra mim, é o contrário. Foi ela é que me botou na…
Gafieiras  … na música brasileira, na letra…
Patife  Foi sem intenção. Quando escutei o selo juntou um monte de coisa em minha cabeça. Eu achava legal, mas não tinha uma música em português. Eu tinha me dado um impulso com a história do Max, [cantarola] “Carnaval / Essa morena me deixou sonhando”. Eu não sei a letra toda. Depois de um ano de “Só você”, pensei, “Pô, vou pegar a voz do Max e fazer uma versão!” Até foi pro clipe. Foi uma coisa que não teve pretensão de tocar em rádio. Nada! Foi somente a vontade de ter uma música no set com vocal inteiro em português. Mas calhou de dar certo. E hoje tem um peso muito grande, que é até meio chato. As pessoas estão esperando de mim vocal, vocal e mais vocal. Uma coisa que eu amo, tudo bem, vou continuar fazendo, mas tenho muito forte o meu lado instrumental, principalmente na área de metal e piano, que é uma coisa que adoro.

Tags
DJ Patife
Música eletrônica
de 23