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Entrevistas de música brasileira

Cordel do Fogo Encantado

O vocalista e compositor Lirinha. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Cordel do Fogo Encantado

parte 18/18

"Eu soube que o som de vocês é vulgar e silvestre!"

Max Eluard  Mas você acha que essa idéia continua a partir do momento que vocês tiverem muitos convites onde vai ser pago tudo, o cachê e mais um pouco? Vocês vão deixar de fazer esse para ir naquele, em que vocês vão tomar preju?
Emerson  A gente sempre vai continuar expandindo. Nunca vamos chegar e “Aqui a gente é rei!”, não vamos ficar só esperando convites. Temos que abrir caminhos, mesmo! Não queremos só ir aos Estados Unidos e à Europa, mas a outras partes do mundo. O interessante dessa turnê intermediária que a gente está fazendo agora – ela não é a mesma turnê de lançamento do disco – estamos tendo a oportunidade de visitar várias cidades do interior do país, de São Paulo, do Paraná.
Clayton  A gente tem vontade de botar o circo no caminhão e ir para o sertão.
Max Eluard  Bye, bye Brasil!
Clayton  É, meio mambembe. Conseguir botar na rua.
Nego Henrique  E também, só para finalizar – tenho que deixá-la no metrô [risos] –, se alguns grupos, como o nosso que tem essa vontade de ir para lugares nunca visitados, seja com tudo pago ou para dividir os custos, se não acontecer isso, nem todo mundo vai conhecer o trabalho do Cordel, do Mestre Ambrósio, do Chão e Chinelo, ou qualquer outra banda. É muito de você botar o circo no caminhão, equipamentos e instrumentos, os músicos dentro do ônibus, chegar na cidade e montar o circo. “Que porra vai ter aqui?” “Um show que um cara trouxe para animar a cidade.”
Marta  Pensamento nômade!
Lirinha  A elitização é uma coisa muito perigosa! É muito possível que a gente passe por esse problema já, já.
Max Eluard  Já estão passando. Vocês é que não se deram conta.
Lirinha  É verdade. Elitização intelectual.
Max Eluard  Quem é o público de vocês?
Lirinha  Sempre tive um grande receio daquela pessoa que sobe no palco, “Atenção, pessoal, silêncio, chegou o super inteligente que vai mostrar para vocês o que isso, o que é aquilo.” Pelo menos tem que se discutir sobre isso. Agora mesmo a gente foi para Recife e passamos na nossa cidade. Apresentamo-nos no maior teatro de Arcoverde, o Teatro Guararape. Isso causou muita polêmica na cidade. Quem se apresenta no Teatro Guararape são artistas de fora da cidade. Caetano Veloso, 160 reais, Chico Buarque, 100 reais… [risos]
Clayton  Vanessa Mae, 200 reais. [risos]
Lirinha  E a gente foi fazer essa apresentação lá. Foi maravilhosa! Em vários momentos comentamos sobre isso, que a nossa intenção era ir para aquele teatro mesmo e colocar o ingresso relativamente barato. Mas aí começa toda a… vige, se for falar sobre isso… gente começa a colocar mais cenário, melhora equipamento, e tudo fica mais caro. Então, tem que se ter muito cuidado com isso, com a elitização. O nosso som é um fantasma. É outra vertente de sobrevivência que é contrária à do rádio e da televisão, do jabá, de fazer sucesso em um grupo. A intenção da gente é abrir mais. Não sei se conseguiremos, mas penso sobre isso. Pelo menos, conversamos sobre isso.
Emerson  Não temos a preocupação de formar um determinado público ou fazer com que a música da gente toque em determinada época do ano. Vamos fazendo show para quem tiver interesse em ver. Não gostamos de dizer que a nossa música é de qualidade. As pessoas são quem vão dizer se é de qualidade ou não. Não deve partir da gente.
Lirinha  Como diz Lírio Ferreira, vê que maravilha, “Eu soube que o som de vocês é vulgar e silvestre!” [risos] Foi a melhor definição que recebi, “vulgar e silvestre”.
Tacioli  Beleza?
Max Eluard  Tá certo.
Almeida  Maravilha.
Max Eluard  Faltou falar de futebol, mas tudo bem, fica para outra.
Lirinha  Mas vamos embora mesmo? Não tem nem a derradeira?

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