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Entrevistas de música brasileira

Cordel do Fogo Encantado

O vocalista e compositor Lirinha. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Cordel do Fogo Encantado

parte 17/18

"Vocês pagam jabá ou têm algum grande esquema?"

Tacioli  A trajetória de vocês é honesta. Vocês a encaram dessa forma, de estar construindo um público que é de vocês, não formado de cima para baixo?
Clayton  Basta sair uma notinha no jornal sobre um show do Cordel no SESC Pompéia que eles estarão lotados. A banda tem um público fiel. Cheguei em Brasília e um cara disse “Meu irmão, peguei o disco de vocês e reproduzi para dois amigos meus, que passaram para outros dois.” Pô, pirataria massa essa! [risos] Fez outras pessoas discutirem o trabalho da gente. A história da Trip foi uma projeção consciente. Não pensamos em grana. A Trip publicou dez músicas, não cobramos nada. Pensamos muito mais em edificar a carreira do que nos contracheques.
Emerson  Aquela coisa: você desenvolve um bom trabalho, você tem uma preocupação e você vê que as pessoas aceitam. Assim, conseguir sobreviver com a arte faz com que você não precise estar num plano de mídia, de rádio. As pessoas geralmente chegam para a gente e “Vocês pagam jabá, ou vocês estão envolvidos em algum grande esquema?” Não, é tudo na cara e na coragem mesmo.
Marta  É uma trajetória que está se construindo, né?
Lirinha  Se o alicerce for melhor, a construção será mais alta.
Marta  Não tem como não ser tijolinho por tijolinho.
Lirinha  Tem até umas construções rápidas, mas elas são muito frágeis, mas são coisas grandes e bonitas também. Isso não torna o nosso grupo maior ou melhor, é apenas uma intenção nossa em fabricar , em construir a coisa. Tínhamos outras saídas também. Por exemplo: para esse segundo disco, poderíamos repetir a fórmula do primeiro. Sabíamos como repetir a fórmula: coco de Arcoverde, reisado das Caraíbas, botar uma outra música, fazer aquilo. Mas temos uma intenção de construção de uma coisa maior, e para essa coisa maior é necessário um tempo de alicerce. Não sei, na verdade, tenho mais dúvida do que…
Max Eluard  Mas isso é ótimo!
Lirinha  Primeiro, por que a gente resolve muitos problemas pessoais no palco. Não só no palco, mas na vida geral. Todos nós estamos resolvendo nossos desejos, nossas ânsias. O interessante é que a banda tem esse pensamento conjunto de construção. O objetivo não é bem o dinheiro, embora ele seja fundamental nesse mundo capitalista, …
Clayton  Mas ser feliz!
Max Eluard – Gente, pelo horário, vamos ter encerrar. O metrô está fechando.
Almeida – Tem alguma coisa que não foi falada que vocês gostariam de registrar?
Nego Henrique  Sobre dinheiro: inclusive, não sei se outras bandas fazem isso, de meter a cara e a coragem. Tem muito produtor que chega e diz,”Tô afim de trazer o Cordel, mas não tenho condições, porque não terei ajuda de custo da Prefeitura…”, mas a gente leva toda a carga mantendo o custo. A bilheteria para pagar os custos, e se sobrar, tanto porcento é para a produção local, tanto porcento para… A gente pensa muito em tornar o nosso trabalho mais evidente. Tem muito lugar em que não fomos ainda, mas se não tentar abrir as portas, não vai rolar coisa nenhuma.

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