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Entrevistas de música brasileira

Cordel do Fogo Encantado

O vocalista e compositor Lirinha. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Cordel do Fogo Encantado

parte 16/18

Ainda não tivemos oportunidade de lançar nossa vida artística na Europa

Almeida  O que vocês colheram das apresentações na Europa? Era simplesmente para ir mostrar a música para um público totalmente diferente, que não conhecia nada de vocês? Ou foi por grana, para vender disco?
Lirinha  Infelizmente, a gente ainda não teve oportunidade de lançar a vida artística na Europa. Fomos naqueles festivais que acontecem no verão, festivais de world music. Ainda não foi a nossa melhor ida nossa, porque foram festivais muito grandes, na Bélgica, em Paris, em Berlim. Não foi o nosso objetivo, mas temos um objetivo fora do país. De qualquer forma foi uma apresentação exótica, sabe como é? Igual a turma do Madagascar, uma vitrine de exposição, de sons exóticos, mas de qualquer forma foram apresentações inesquecíveis. É um marco na vida a pessoa sair do seu lugar, principalmente para a gente que acreditava que a nossa força era a palavra. Fomos para um lugar em que as pessoas não iriam entender, mas isso fez com que descobríssemos que a nossa música passava sensações e sentimentos muito fortes. Foi um momento de descoberta de outras forças. Na verdade, a gente perdeu alguns poderes e ganhou outros. Foram apresentações inesquecíveis, quando a gente pôde provocar a mesma caminhada do Brasil, no caso, em Paris, único lugar onde pudemos ficar para uma temporada de 7 apresentações. Na sexta apresentação já tinham 2 mil pessoas só no show do Cordel do Fogo Encantado, numa praça do Palácio de Luxemburgo. Essa apresentação iria florescer muito mais se tivesse uma continuidade, mas tivemos que voltar ao Brasil. São processos quebrados. Temos a intenção de lançar, com o passar do tempo, uma vida ativa por lá. Mas foram apresentações inesquecíveis. Em nenhum momento foram shows pequenas. Em Berlim ficamos hospedados oito dias no Ufa-Fabrik, antiga sede do cinema realista alemão, onde Fritz Lang filmou Metropolis [n.e. Obra-prima do expressionismo alemão lançado em 1927]. Ficamos nesse estúdio, onde tem oficinas de circo e de música. Fizemos vários contatos, tanto em Berlim, quanto na Bélgica (Antuérpia) e em Paris. Só conhecemos esses lugares e demos uma paradinha na Holanda. Pra comprar… [risos gerais]

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Max Eluard  Para conhecer. [risos] Qual é a perspectiva de vocês? O que vocês esperam do trabalho em termos de evolução?
Clayton  É só botar um espelho de frente para o outro. Não se acaba, não! [risos]
Max Eluard  Botar um espelho na frente do outro é um objetivo? Você acha que vão deixar rolar?
Clayton – Além de estar fortalecer a idéia do grupo, estamos também está construindo o nome de cada um, desde o técnico aos músicos de palco. É uma realidade para todo mundo que quer realmente levar essa história da banda. Mas acredito que posteriormente virão trabalhos próprios. Acredito pela força que a banda está dando para a gente, pelos espaços que estamos conseguindo, de saber quem é Lirinha, quem é Clayton, quem é Nego, quem é Emerson, quem é Rafa, quem é o iluminador, o técnico de som. A banda sempre foi uma grande escola para a gente. É um estudo contínuo. Estamos sempre se estudando, se cobrando, porque sabemos o que temos para dar.
Max Eluard  Vocês têm medo desse percurso?
Clayton  Tô perdendo.
Max Eluard  E os outros?
Emerson  Pois é, admiro muito as pessoas que freqüentam o seu show pela qualidade que ele apresenta. É claro que existe aquele público que é atraído pela publicidade. Aí sempre a publicidade é quem fala se é isso, ou se é aquilo.
Max Eluard  De falar o que é bom e o que não é.
Emerson  Sempre procuramos fazer a nossa trajetória paralela a isso. Temos a preocupação de manter a qualidade, e a mantendo sempre teremos a segurança de que as pessoas vão comparecer por causa desse atributo.

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