gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Cordel do Fogo Encantado

O vocalista e compositor Lirinha. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Cordel do Fogo Encantado

parte 15/18

Fizemos a música-tema do novo filme do Cacá Diegues

Seabra  Lira, você comentou de seu encontro com o Lírio Ferreira no Rio. Existem chances de algum videoclipe? Já se falou disso?
Lirinha  Sim, é aquele desejo, mas não sei se irá rolar.
Seabra  Recife tem bons realizadores. Não tem mais nenhum contato?
Lirinha  Para a execução do clipe com o Lírio, não. Mas é possível, sim, até porque estamos estabelecendo contato agora.
Clayton  Gravamos há pouco umas cenas e fizemos uma música para o filme do Cacá.
Almeida  Como é que foi? Além de assinar a trilha, vocês também atuaram?
Clayton  Fizemos uma música, que acredito seja a música-tema.
Lirinha  É a música-tema do filme. Foi o nosso primeiro convite para cinema. Tínhamos muita vontade de trabalhar com isso, e o primeiro convite foi do Cacá Diegues para esse seu novo filme, que vai estrear no dia 25 de outubro. Chama-se Deus é brasileiro, da obra de João Ubaldo Ribeiro. Fizemos a música-tema, que chama-se “Os anjos caídos”. Atuamos também. Fizemos parte da cena no momento em que Deus tem um contato com o grupo e recebe determinadas informações. É o seguinte: Deus vem à Terra arrumar um substituto para as questões terrestres, porque ele está recebendo muitos pedidos e tem outras coisas para fazer. É um Deus dantesco. Cacá disse, “É aquele Deus barbudo, de barbas brancas, sentado no trono. É um Deus dantesco!” Antônio Fagundes é quem o faz. Já diz tudo. [risos] A letra diz “Os homens são anjos caídos / Que Deus mandou para a Terra / Porque botaram defeito na criação do mundo / Aqui começaram a inventar coisas, a imitar Deus / E Deus ficou zangado / Mandou muita chuva e muito fogo / Eu vi de perto a sua raiva sacra / Pois foram sete dias de trabalho intenso / Eu vi de perto / Quando chegava uma noite escura / Só meu candeeiro é que velava o seu sono santo / Santo que é seu nome e seu sorriso raro / Eu voava alto porque tinha um grande par de asas / Até que um dia caí / E aqui estou nesse terreiro de samba / Ouvindo o trabalho do céu / E aqui estou nesse terreiro de guerra / Ouvindo a batalha do céu / Nesse terreiro de anjos caídos / Cá na Terra, trabalha todo dia / Levantar, quebrar parede, matar a fome, matar a sede / Carregar na cabeça uma bacia / E se fogo que a sua boca envia / São mensagens para a nossa Criação / Ah! Deus! Esse terreiro de anjos / Ah! Esse errar que é sem fim / Essa paixão tão gigante / E esse amor que é só seu / Esperando você chegar”.

Seabra  E vocês curtiram trabalhar com cinema?
Lirinha  Foi muito legal. A gente ainda não viu como é que ficou.
Emerson  Foi um desafio pegar uma idéia pronta para trabalhar em cima. A mesma sensação de um diretor de clipe, que chega lá para produzir um vídeo de uma música. Ele chega e ouve. “Pô, tenho que interpretar”. Mas foi um desafio bom, produtivo.
Clayton  Foi boa essa diversão, mas eu estava com uma saudade do Nordeste.
Almeida  Em cena vocês fizeram o quê?
Lirinha  Deus vê essa mensagem do anjo caído. É a gente cantando.
Clayton  É a primeira dublagem.
Emerson  Foi legal porque fizemos uma música nossa, mesmo, uma música do grupo. Não tivemos que interpretar nenhum outro. Nós fomos como o Cordel do Fogo Encantado.
Clayton  E pelo lado técnico foi a primeira música que produzimos sozinhos.
Lirinha  E está no filme.

Tags
Cordel do Fogo Encantado
de 18